• EJA 2026 abre matrículas em Assis para jovens, adultos e idosos que desejam retomar os estudos
  • Escritório na praia: litoral brasileiro se consolida como paraíso para nômades digitais
  • Calor do verão eleva em até 30% os casos de pedra nos rins no Brasil
Novidades e destaques Novidades e destaques

Ciência e Tecnologia • 10:51h • 15 de abril de 2025

Pesquisadores da Unesp desenvolvem dispositivo vestível que ajuda cegos a detectar obstáculos

Sistema integrado a uma mochila é munido de câmera e sinalizadores táteis que, por meio de vibração, alertam para a presença de objetos acima da linha da cintura

Agência SP | Foto: Divulgação/Fapesp

Os componentes são armazenados na mochila, que pode ser utilizada também para o transporte de pertences do usuário.
Os componentes são armazenados na mochila, que pode ser utilizada também para o transporte de pertences do usuário.

Pesquisadores das universidades Estadual Paulista (Unesp) e Federal do Espírito Santo (Ufes) desenvolveram um dispositivo vestível para auxiliar na locomoção de pessoas com deficiência visual. A tecnologia conta com sinalizadores táteis capazes de alertar para a presença de obstáculos, garantindo aos usuários maior autonomia e segurança nas caminhadas.

O sistema, integrado a uma mochila, é composto por uma câmera com sensor RGB de profundidade – que captura imagens de forma muito semelhante à experiência visual humana – e uma unidade de processamento de imagens com diferentes componentes, entre eles um processador Jetson Nano. O minicomputador é indicado para tarefas como classificação de imagens, detecção de objetos, segmentação e processamento de fala, por exemplo. Os detalhes da pesquisa foram descritos na revista Disability and Rehabilitation: Assistive Technology.

“Os componentes são armazenados na mochila, que pode ser utilizada também para o transporte de pertences do usuário. Os fios passam por dentro da mochila e das alças, que vibram conforme o usuário se aproxima de um obstáculo. Se ele estiver à esquerda, vibra o lado esquerdo. Se estiver à direita, vibra o direito. E, se estiver à frente, vibram os dois”, conta Aline Darc Piculo dos Santos, atualmente professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e primeira autora do artigo.

O dispositivo foi desenvolvido durante o doutorado de Santos, realizado na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, em Bauru. O trabalho contou com apoio da Fapesp, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes).

A pesquisadora relata ter optado pelo uso de um feedback tátil em vez de um aviso sonoro pelo fato de a informação auditiva ter um peso importante no processo de orientação e mobilidade de pessoas com deficiência visual.

“Nosso objetivo principal foi, a partir da tecnologia vestível, ampliar a detecção de obstáculos, já que com a bengala só é possível mapear o que está abaixo da linha da cintura. Assim, a ideia não é substituir a bengala – um dispositivo com o qual o usuário já está acostumado e dificilmente deixará de usar –, mas que ela seja complementar à mochila”, explica.

O desenvolvimento do protótipo, denominado NavWear, envolveu uma equipe interdisciplinar formada por designers e engenheiros elétricos e levou em consideração não só a funcionalidade, mas também aspectos como conforto, interação do dispositivo com os usuários e facilidade de uso.

“Além de uma revisão grande de estudos sobre mobilidade de pessoas com deficiência visual e da pesquisa sobre tecnologias assistivas disponíveis para esse público, também firmamos parceria com uma instituição de cegos para entender as necessidades dos usuários. A maioria dos dispositivos desse tipo aborda apenas os aspectos funcionais. Poucos são os estudos que tratam dos aspectos relacionados à interação entre usuário e dispositivo, o que pode influenciar a aceitação e a satisfação com o produto”, diz a pesquisadora.

Estudo preliminar

Para chegar ao modelo descrito no artigo, os pesquisadores realizaram um estudo com 11 indivíduos adultos com deficiência visual e um profissional da área da saúde, especializado em orientação e mobilidade.

“Nesse estudo preliminar, as pessoas com deficiência visual expressaram um alto nível de preocupação em relação à sua segurança em ambientes externos e desconhecidos, além da dificuldade em identificar obstáculos não detectados pela bengala comum”, conta Santos.

A pesquisadora conta que o protótipo foi avaliado sob duas perspectivas: usabilidade do dispositivo e percepção de observadores sobre o usuário. A primeira avaliação foi realizada em um ambiente controlado, que permitia a simulação de tarefas como caminhadas de olhos vendados. “Nessa etapa de testes, foi possível observar que o uso combinado das tecnologias resultou em menos colisões. Os participantes também relataram sentir mais segurança e menor dificuldade em realizar o percurso”, ressalta.

Segundo a pesquisadora, uma limitação do estudo foi não ter conseguido testar o protótipo em indivíduos cegos. “Como ele foi desenvolvido durante o período de isolamento social da pandemia de COVID-19, houve essa limitação. Embora os resultados não possam ser generalizados para usuários com deficiência visual, visto que eles podem ter uma interação diferente, eles são promissores e destacam o potencial do dispositivo para uso em ambientes externos”, conta.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Economia • 20:38h • 23 de janeiro de 2026

Bilionários acumulam US$ 18,3 trilhões e ampliam desigualdade global, aponta IJF

IJF aponta concentração histórica de renda, impacto ambiental desproporcional e defende tributação progressiva dos super-ricos

Descrição da imagem

Policial • 19:29h • 23 de janeiro de 2026

Caça-níqueis e equipamentos do jogo do bicho são apreendidos no centro de Paraguaçu Paulista

Ação ocorreu após denúncia de exploração de jogos de azar em bar da região central do município

Descrição da imagem

Saúde • 18:21h • 23 de janeiro de 2026

Dentes de leite também exigem atenção: a importância da higiene bucal no primeiro ano de vida

Especialistas alertam que iniciar a escovação com o nascimento do primeiro dente reduz o risco de cáries, ajuda na formação de hábitos saudáveis e contribui para o desenvolvimento infantil

Descrição da imagem

Educação • 17:32h • 23 de janeiro de 2026

EJA 2026 abre matrículas em Assis para jovens, adultos e idosos que desejam retomar os estudos

Programa da rede municipal oferece vagas para a Educação de Jovens e Adultos em duas escolas e orienta inscrições em todas as unidades

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:03h • 23 de janeiro de 2026

Escritório na praia: litoral brasileiro se consolida como paraíso para nômades digitais

Cidades que unem conectividade e lazer atraem profissionais que buscam qualidade de vida longe dos escritórios tradicionais

Descrição da imagem

Mundo • 16:31h • 23 de janeiro de 2026

De 2016 para 2026 o trabalho mudou de eixo e segue em transformação

Liderança, transição de carreira e habilidades humanas passaram ao centro das decisões profissionais e empresariais

Descrição da imagem

Cidades • 16:10h • 23 de janeiro de 2026

Cadastro municipal abre inscrições para cursos gratuitos de valorização cultural em Cruzália

Iniciativa vai credenciar pessoas e empresas para cursos de dança folclórica alemã, culinária e artesanato, com possibilidade de participação em eventos oficiais do município

Descrição da imagem

Saúde • 15:48h • 23 de janeiro de 2026

Calor do verão eleva em até 30% os casos de pedra nos rins no Brasil

Desidratação, dieta rica em sal e açúcar e consumo elevado de proteínas explicam aumento de até 30% nos atendimentos por cálculo renal

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar