Saúde • 15:44h • 15 de agosto de 2026
Perder urina ao tossir ou correr não é normal e problema pode atingir mulheres ainda jovens
Incontinência urinária afeta milhões de brasileiras e pode comprometer exercícios, vida social e sexual; laser de CO2 aparece como terapia complementar para casos selecionados
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Perder urina ao tossir, espirrar, praticar exercícios ou simplesmente não conseguir chegar ao banheiro a tempo é uma situação vivida por milhões de mulheres, mas que ainda costuma ser tratada com constrangimento ou como consequência inevitável da idade. A incontinência urinária é mais frequente após os 40 anos, embora também possa atingir mulheres jovens, e existem diferentes possibilidades de tratamento, definidas de acordo com a origem e as características dos sintomas.
Estimativas apontam que entre 25% e 45% das mulheres adultas apresentam algum grau de incontinência urinária ao longo da vida. A ocorrência aumenta com fatores como idade, gestação e parto vaginal. Apesar da frequência, muitas mulheres podem demorar anos para procurar atendimento por vergonha ou por acreditarem que a perda de urina seja normal.
E nem sempre os sintomas estão relacionados a uma infecção urinária. Algumas pacientes apresentam urgência para ir ao banheiro, aumento da frequência urinária ou pequenas perdas mesmo com exame de urina e urocultura normais. Nesses casos, uma avaliação mais ampla pode investigar fatores como alterações no assoalho pélvico, sustentação da uretra, deficiência estrogênica e condições dos tecidos vaginais.
Nem toda incontinência é igual
Existem diferentes tipos de incontinência. Na de esforço, a perda pode acontecer durante atividades que aumentam a pressão abdominal, como tossir, espirrar ou fazer exercícios. Há também a incontinência de urgência, caracterizada pela necessidade súbita de urinar, além da forma mista, quando as duas situações aparecem associadas.
Essa diferença é importante porque o tratamento precisa considerar a causa do problema. A fisioterapia do assoalho pélvico está entre as abordagens utilizadas, enquanto outras alternativas podem ser consideradas conforme a avaliação individual de cada mulher.
Uma delas é o laser vaginal de CO2, estudado como terapia complementar especialmente quando os sintomas urinários aparecem associados a alterações da saúde vaginal relacionadas ao climatério ou à menopausa. Segundo a ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, a tecnologia promove alterações nos tecidos que podem estimular a remodelação do colágeno e melhorar a qualidade da mucosa vaginal.
Melhora de 70% em um caso não significa resultado igual para todas
A médica relata o caso de uma paciente de 34 anos que procurou atendimento por precisar urinar diversas vezes ao dia, geralmente em pequenas quantidades, apesar de apresentar exames normais. Após duas sessões de laser de CO2, a paciente relatou melhora de aproximadamente 70% dos sintomas.
O resultado, porém, corresponde a uma experiência clínica individual e não significa que outras mulheres terão a mesma resposta. A própria especialista ressalta que o laser não substitui a investigação médica nem é indicado para todos os tipos de incontinência.
“Cada paciente precisa de um diagnóstico preciso. Existem diferentes formas de incontinência, como a de esforço, a de urgência e a mista. O laser pode ser um recurso importante para mulheres selecionadas, especialmente quando existe comprometimento da saúde vaginal, mas ele faz parte de um plano terapêutico mais complexo”, explica Brando.
Um problema que também muda a rotina
As consequências podem ultrapassar o desconforto físico. A literatura científica associa a incontinência urinária a limitações durante exercícios, redução da autoestima, dificuldades na vida social e impactos na vida sexual. O receio de uma perda inesperada também pode fazer com que algumas mulheres mudem hábitos e atividades do cotidiano.
Embora estudos tenham encontrado melhora dos sintomas com o laser em parte das pacientes, ainda são necessários estudos randomizados de maior qualidade para determinar com maior precisão quais mulheres podem obter os maiores benefícios.
Por isso, a presença de perdas urinárias ou de uma vontade frequente e persistente de urinar merece avaliação profissional, inclusive quando exames para infecção apresentam resultados normais. Identificar qual tipo de incontinência está presente é o primeiro passo para escolher entre as possibilidades de tratamento e evitar que um problema tratável continue interferindo na rotina.
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