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Ciência e Tecnologia • 16:16h • 03 de novembro de 2026

Peixe com dentes no céu da boca e árvores de 280 milhões de anos estão entre fósseis encontrados no Brasil

Cinco exemplares preservados em museu de Santa Catarina revelam animais e plantas que habitaram o território brasileiro antes e durante a era dos dinossauros

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Grupo Oceanic | Foto: Divulgação

Brasil pré-histórico: cinco fósseis revelam animais curiosos e árvores de milhões de anos
Brasil pré-histórico: cinco fósseis revelam animais curiosos e árvores de milhões de anos

Peixes com dentes no céu da boca, restos fossilizados com cristais de quartzo e árvores que existiram há 280 milhões de anos estão entre os registros paleontológicos encontrados no Brasil. Cinco exemplares preservados no Museu de Paleontologia do Parque Aventura Jurássica, em Balneário Camboriú (SC), ajudam a reconstruir a história da vida no território brasileiro, revelando características de espécies que habitaram diferentes regiões do país muito antes do surgimento dos seres humanos.

Os fósseis integram um acervo com mais de 100 peças e foram destacados pelo museu em referência ao Dia Internacional do Fóssil, celebrado em 30 de outubro. Os registros incluem animais aquáticos do período Cretáceo, um herbívoro que viveu há mais de 220 milhões de anos e vestígios de vegetação ainda mais antiga.

Além de revelar a aparência e os hábitos de organismos extintos, os exemplares permitem compreender como diferentes ambientes se transformaram ao longo de milhões de anos. Algumas peças apresentam características anatômicas incomuns, enquanto outras preservam detalhes de processos naturais ocorridos após a morte dos organismos.


Cinco fósseis brasileiros que revelam um passado surpreendente

1. Neoproscinetes: o peixe com dentes no céu da boca

Há aproximadamente 110 milhões de anos, o Neoproscinetes penalvai habitava ambientes aquáticos do atual Nordeste brasileiro. O peixe tinha corpo achatado e dentes resistentes, inclusive no céu da boca, que permitiam triturar alimentos com partes rígidas.

O exemplar foi encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, região reconhecida pela preservação de fósseis do período Cretáceo.

2. Vinctifer: o peixe preservado com cristais de quartzo

Também encontrado no Ceará, o Vinctifer comptoni viveu há cerca de 110 milhões de anos. Um dos exemplares apresenta cristais de quartzo associados aos restos fossilizados, resultado de transformações minerais ocorridas após a morte do animal.

Essa característica ajuda os pesquisadores a investigar os processos geológicos e químicos envolvidos na preservação dos organismos ao longo do tempo.

3. Araripichthys: o peixe com corpo semelhante a um disco

Com corpo alto e comprimido lateralmente, semelhante a um disco, o Araripichthys castilhoi viveu entre 111 e 108 milhões de anos atrás.

Considerada rara no registro fossilífero, a espécie contribui para o conhecimento da diversidade de peixes que habitavam os antigos ambientes aquáticos do Nordeste brasileiro durante o Cretáceo.

4. Stahleckeria: o herbívoro de três metros que viveu há mais de 220 milhões de anos

O Stahleckeria potens era um animal herbívoro de corpo robusto, com bico córneo, que podia atingir três metros de comprimento. Viveu há mais de 220 milhões de anos e pertencia ao grupo dos dicinodontes, integrantes da linhagem evolutiva dos sinapsídeos, à qual também pertencem os mamíferos.

O museu preserva ossos originais das patas desse animal, encontrados no Rio Grande do Sul. Os vestígios ajudam a compreender a diversidade de vertebrados terrestres que existiam durante o período Triássico.

5. Árvores petrificadas: vestígios de florestas de 280 milhões de anos

Encontrados na Formação Rio Bonito, em Santa Catarina, os lenhos fósseis preservam estruturas de árvores que existiram durante o período Permiano, aproximadamente 280 milhões de anos atrás.

Esses registros são anteriores ao surgimento dos primeiros dinossauros e conservam detalhes da madeira original, permitindo aos cientistas investigar a vegetação e as condições ambientais daquele período.

Por que os fósseis são importantes para a ciência?

Fósseis são restos ou vestígios de seres vivos preservados naturalmente em materiais geológicos. Podem incluir ossos, dentes, pegadas, conchas e partes de plantas, além de marcas deixadas pela atividade de organismos antigos.


Seu estudo permite identificar espécies extintas, investigar relações evolutivas e reconstruir ambientes que existiram há milhões de anos. O Brasil possui importantes áreas fossilíferas, como a Bacia do Araripe, no Nordeste, e formações geológicas do Sul do país.

O Dia Internacional do Fóssil, lembrado em 30 de outubro pela Sociedade Brasileira de Paleontologia, chama a atenção para a preservação desse patrimônio científico.

No Parque Aventura Jurássica, em Balneário Camboriú, o público também pode participar de atividades educativas, como a Tenda do Paleontólogo, onde crianças vivenciam uma simulação de escavação e descoberta de fósseis.

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