Policial • 13:42h • 18 de setembro de 2026
Pare antes de fazer o Pix: criminosos contam justamente com a sua pressa para aplicar golpes
Criminosos exploram medo, urgência e promessa de dinheiro fácil e já utilizam inteligência artificial para reproduzir imagens e vozes de familiares
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Arquivo/Âncora1
Um pedido urgente de Pix feito por um suposto familiar, uma ligação do banco alertando sobre uma compra desconhecida ou uma oportunidade de investimento com retorno muito acima do esperado podem ter algo em comum. Golpistas digitais utilizam medo, urgência, curiosidade e expectativa de vantagem para fazer com que a vítima tome uma decisão antes de verificar se a situação é verdadeira, segundo a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) da Polícia Civil de São Paulo.
As estratégias incluem links destinados à obtenção de dados bancários e informações pessoais, falsas centrais de atendimento, lojas virtuais fraudulentas e perfis que prometem investimentos altamente rentáveis. Recursos de inteligência artificial ampliaram ainda as possibilidades de fraude, permitindo reproduzir imagens e até vozes de pessoas conhecidas.
Os criminosos também podem trabalhar com listas contendo informações sobre potenciais vítimas e roteiros preparados para conduzir as conversas. Dados disponíveis nas redes sociais ajudam a tornar algumas histórias mais convincentes.
Quando a voz do familiar também pode ser falsa
Entre os golpes relatados pela Polícia Civil estão pedidos de dinheiro enviados por aplicativos de mensagens utilizando fotografias de familiares. Em situações mais elaboradas, informações publicadas nas redes e recursos tecnológicos são utilizados para aumentar a aparência de autenticidade.
Em um dos casos mencionados pelo delegado Paulo Barbosa, da DCCiber, o criminoso se passou pelo filho da vítima e afirmou que o carro havia quebrado em uma rodovia. Em seguida, pediu que um Pix fosse enviado diretamente para a conta do suposto mecânico.
A falsa central bancária segue lógica semelhante. O golpista entra em contato como se fosse funcionário da instituição financeira, informa uma suposta compra que precisa ser contestada e conduz a vítima a realizar procedimentos que podem resultar em prejuízo.
Também existem perfis que se apresentam como gestores de investimentos e utilizam até anúncios pagos para alcançar mais pessoas. A promessa de ganhos elevados e a alegação de que a oportunidade desaparecerá rapidamente são utilizadas para pressionar a decisão.
A pressa é um dos principais sinais de alerta
Segundo Barbosa, uma das principais formas de proteção é interromper esse ciclo de urgência. Diante de um pedido inesperado de dinheiro ou de uma emergência, a orientação é não executar imediatamente o que está sendo solicitado e confirmar a história por outro meio.
Se a mensagem vier de alguém que afirma ser um familiar, a recomendação é encerrar o contato e ligar diretamente para o número que já era conhecido. Quando a situação envolver um banco, o consumidor deve procurar os canais oficiais da instituição e evitar utilizar telefones, links ou contatos fornecidos na própria abordagem suspeita.
Ofertas extremamente vantajosas e acompanhadas de pressão para decidir rapidamente também exigem cautela. Analisar a proposta com mais tempo e conversar com alguém de confiança pode ajudar a identificar inconsistências antes que qualquer transferência seja realizada.
Fez o Pix e percebeu o golpe? É preciso agir rápido
Quem já transferiu dinheiro deve entrar imediatamente em contato com o banco, comunicar a fraude e verificar a possibilidade de bloqueio da movimentação. Nas transações realizadas por Pix, a vítima pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, quando aplicável.
Conversas, capturas de tela, números utilizados, comprovantes e demais registros devem ser preservados para auxiliar a investigação. A orientação também inclui alterar senhas potencialmente comprometidas e bloquear cartões quando houver risco de utilização indevida.
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