Ciência e Tecnologia • 09:54h • 19 de agosto de 2026
Painéis já não são o único desafio: baterias ganham espaço na próxima fase da energia solar no Brasil
Intersolar South America será realizada de 25 a 27 de agosto e colocará em debate a desaceleração das novas instalações, armazenamento de energia e avanço das baterias no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Totum | Foto: Arquivo/Âncora1
A energia solar ultrapassou a marca histórica de 3 terawatts (TW) de capacidade instalada no mundo, enquanto o Brasil chega a uma nova etapa de expansão da tecnologia, marcada pelo crescimento do armazenamento de energia e, ao mesmo tempo, pela desaceleração das novas instalações fotovoltaicas. O cenário estará no centro da Intersolar South America, que acontece entre 25 e 27 de agosto, em São Paulo.
Considerado o maior evento de energia solar da América Latina, o encontro reunirá autoridades, especialistas, empresas, empreendedores e pesquisadores para discutir os próximos passos da transição energética. Entre os principais temas estão baterias, modernização das redes elétricas e mecanismos capazes de dar maior flexibilidade ao sistema diante do avanço das fontes renováveis.
Os números do relatório Global Solar Market Outlook 2026-2030, da SolarPower Europe, mostram a dimensão alcançada pela tecnologia. Somente em 2025, a energia solar respondeu por 77% de toda a nova capacidade renovável instalada no planeta. A geração fotovoltaica chegou a 2.778 TWh, equivalente a aproximadamente 9% da demanda mundial de eletricidade.
Brasil cresce, mas novas instalações perderam ritmo
Apesar do avanço acumulado, o mercado entrou em uma fase de crescimento mais moderado. Depois de 664 GW adicionados globalmente em 2025, a projeção para 2026 é de 612 GW, redução de 8%.
No Brasil, a desaceleração já apareceu nos números do último ano. O país adicionou 14,5 GWp de potência solar em 2025, contra 18,9 GWp em 2024, queda de aproximadamente 23%. Com esse desempenho, o Brasil perdeu uma posição no ranking mundial e ficou atrás de China, Índia, Estados Unidos e Alemanha.
Ainda assim, a fonte solar ocupa uma parcela expressiva da matriz elétrica brasileira. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), são atualmente 74,3 GW em operação, equivalentes a 27,4% da capacidade instalada nacional.
Desde 2012, o setor acumula mais de R$ 328,2 bilhões em investimentos e 2,2 milhões de empregos verdes, de acordo com a entidade.
Baterias entram no centro da discussão
Se a primeira grande fase da expansão fotovoltaica esteve concentrada na instalação de painéis e usinas, o armazenamento aparece entre os principais desafios da próxima etapa. A discussão envolve soluções capazes de guardar a eletricidade produzida em determinados períodos para utilização posterior, além de aumentar a segurança e a flexibilidade do sistema elétrico.
A Intersolar deverá abordar a modernização das redes, a realização recorrente de leilões de baterias e outros mecanismos necessários para acompanhar a expansão da geração solar.
“Apesar da desaceleração, a energia solar mantém posição estratégica na matriz elétrica brasileira”, afirma Rodrigo Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR, ao destacar a capacidade instalada, os investimentos e os empregos acumulados pelo setor.
A Intersolar South America integra a The smarter E South America, que reúne ainda eventos dedicados ao armazenamento de energia e baterias, infraestrutura para recarga de veículos elétricos, eletromobilidade, infraestrutura elétrica e gestão inteligente de energia.
Com o mundo superando os 3 TW de capacidade solar, o debate que chega a São Paulo mostra uma mudança de estágio: além de continuar instalando sistemas fotovoltaicos, o desafio passa cada vez mais por definir como armazenar, distribuir e aproveitar com eficiência a energia produzida.
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