Responsabilidade Social • 15:22h • 17 de junho de 2026
Ondas ultrassônicas vão ajudar a conter avanço das algas no Tietê
Projeto-piloto em Sabino utilizará rede de equipamentos para monitorar a água em tempo real e reduzir a proliferação de algas em área equivalente a mais de 130 campos de futebol
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O Governo de São Paulo vai testar uma tecnologia já utilizada em cerca de 60 países para combater a proliferação de algas que formam a chamada “nata verde” em trechos do Rio Tietê. A iniciativa será implantada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), no Córrego do Esgotão, em Sabino, região que registra frequentes florações de cianobactérias. O anúncio foi feito durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente e integra as ações do Programa IntegraTietê.
O projeto prevê a instalação de 14 boias inteligentes conectadas entre si, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar continuamente a qualidade da água. A proposta é reduzir a proliferação das algas sem o uso de produtos químicos e sem causar impactos ao ecossistema aquático.
A escolha de Sabino para receber o projeto-piloto levou em consideração o histórico de ocorrência das florações, a disponibilidade de dados ambientais para acompanhamento dos resultados e a importância da região para atividades como turismo, pesca e lazer.
Segundo a Semil, a nova tecnologia se soma às ações já desenvolvidas pelo Programa IntegraTietê, que incluem obras de saneamento, desassoreamento, limpeza, fiscalização, conservação ambiental e monitoramento dos recursos hídricos.
A instalação das boias está prevista para agosto. Os primeiros resultados deverão ser avaliados cerca de 90 dias após o início da operação.
A área monitorada pelo projeto possui aproximadamente 960 mil metros quadrados, equivalente a mais de 130 campos de futebol, com volume estimado em 7 milhões de metros cúbicos de água, quantidade suficiente para abastecer cerca de 2.800 piscinas olímpicas.
Sistema utiliza energia solar e inteligência artificial
As boias funcionam emitindo ondas ultrassônicas em diferentes frequências que interferem na capacidade de flutuação das algas. Com dificuldade para permanecer próximas à superfície, onde recebem luz solar para realizar a fotossíntese, elas tendem a migrar para camadas mais profundas da água, reduzindo seu desenvolvimento e a formação das manchas esverdeadas.
Cada equipamento possui alcance de aproximadamente 500 metros de diâmetro, cobrindo uma área equivalente a cerca de 28 campos de futebol.
Com investimento de aproximadamente R$ 9 milhões, o sistema contará com inteligência embarcada capaz de ajustar automaticamente a intensidade e a frequência das ondas conforme as condições ambientais observadas.
Além do controle das algas, as boias também atuarão como estações automáticas de monitoramento ambiental. Sensores instalados nos equipamentos irão acompanhar parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura da água, clorofila e ficocianina.
O projeto também prevê a instalação de uma estação meteorológica para monitorar variáveis como chuva, vento e temperatura, permitindo identificar condições favoráveis ao surgimento das florações com antecedência. Toda a estrutura será alimentada por energia solar e baterias de lítio.
Desenvolvida na Holanda, a tecnologia foi escolhida por combinar baixo impacto ambiental e capacidade de atuação em grandes áreas aquáticas.
O que provoca a “nata verde”
As manchas esverdeadas observadas em alguns trechos do Rio Tietê são resultado da eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes na água. Em condições favoráveis, como temperaturas elevadas e maior incidência de luz solar, ocorre uma multiplicação acelerada de algas e cianobactérias.
Além do impacto visual, essas florações podem comprometer a qualidade da água e afetar atividades econômicas e recreativas, como pesca, piscicultura, esportes náuticos e turismo.
A expectativa do governo estadual é que o projeto contribua para ampliar o controle desse problema ambiental e forneça informações que possam orientar futuras ações de recuperação dos corpos d’água paulistas.
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