Variedades • 19:48h • 03 de setembro de 2026
O que os sonhos querem dizer? Entenda por que não existe uma interpretação igual para todo mundo
Médico e escritor defende que sentimentos, experiências e o momento vivido são mais importantes do que buscar significados prontos para aquilo que aparece durante o sono
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Sonhar que está caindo, voando, reencontrando alguém do passado ou voltando a um lugar da infância pode deixar uma pergunta ao despertar: afinal, aquilo significa alguma coisa? Para o médico ginecologista, obstetra e escritor Albino Bonomi, os sonhos podem favorecer o autoconhecimento, mas não devem ser tratados como mensagens literais, previsões do futuro ou símbolos com significados universais.
A interpretação dos sonhos ocupa historicamente um espaço importante na Psicologia e na Psicanálise. Sigmund Freud colocou o sonho entre os objetos de investigação do inconsciente, enquanto Carl Jung desenvolveu uma abordagem que também considerava os símbolos e sua relação com a trajetória individual.
Bonomi chama atenção justamente para essa dimensão pessoal. Uma mesma imagem pode assumir sentidos diferentes dependendo de quem sonhou, das experiências acumuladas, do momento vivido e das emoções despertadas. Por isso, procurar uma tradução pronta para cada elemento tende a ignorar parte essencial desse contexto.
Sonhar com água, queda ou morte tem significado específico?
Para o escritor, não existe um “dicionário universal” dos sonhos capaz de estabelecer, por exemplo, que sonhar com água, morte, queda ou determinada pessoa tenha sempre a mesma explicação.
“Sonhar com água, por exemplo, não significa necessariamente a mesma coisa para todas as pessoas. O contexto é fundamental. Precisamos perguntar o que aquela imagem representa para quem sonhou, quais sentimentos ela provocou e o que aquela pessoa está vivendo naquele momento”, afirma.
A atenção, portanto, pode estar menos na tentativa de decifrar cada cena e mais nas emoções associadas a ela. Medo, saudade, angústia e alegria podem servir como pontos de partida para refletir sobre preocupações, lembranças e experiências presentes na vida de quem sonhou.
Sonhos não devem ser tratados como previsões
Bonomi também recomenda cautela diante de interpretações que apresentam sonhos como presságios. Segundo ele, aquilo que ocorre durante o sono pode estar relacionado a experiências recentes, emoções e representações simbólicas, sem necessariamente anunciar algo que acontecerá.
“Não devemos transformar todo sonho em presságio. Um sonho pode ser simbólico, emocional ou estar relacionado às experiências recentes da pessoa. O mais importante é não abandonar a realidade para tentar encontrar respostas apenas no mundo dos sonhos”, explica.
Essa reflexão sobre a vida interior também aparece nas obras O Ciclo Gestatório de um Homem e A interpretação dos sonhos segundo MC, de autoria de Bonomi.
Anotar ao acordar pode ajudar a perceber repetições
Uma possibilidade sugerida pelo escritor é registrar aquilo que ainda estiver na memória logo depois de acordar. Ao longo do tempo, a anotação pode permitir que a própria pessoa identifique temas, situações e emoções que aparecem repetidamente em seus sonhos.
A proposta é observar o que aquela experiência despertou ao invés de encontrar uma resposta definitiva para cada imagem. “Talvez a melhor pergunta depois de um sonho não seja ‘o que isso vai acontecer comigo?’, mas ‘o que isso despertou dentro de mim?’”, afirma Bonomi.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro