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Variedades • 18:58h • 28 de agosto de 2026

O que é “farmar aura”? Desafio entre adolescentes acende alerta para uso escondido de remédios

Prática transforma ingestão escondida de remédios em disputa por status virtual e pode provocar dependência, alterações cardíacas, convulsões e outros danos graves à saúde

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CFF | Foto: Arquivo/Âncora1

“Farmar aura” com medicamentos: entenda o risco por trás da nova prática entre adolescentes
“Farmar aura” com medicamentos: entenda o risco por trás da nova prática entre adolescentes

Uma prática chamada de “farmar aura” tem chamado a atenção para o uso indevido de medicamentos controlados por adolescentes em desafios divulgados nas redes sociais. A dinâmica relatada envolve retirar remédios escondidos dos pais ou responsáveis, ingerir os comprimidos sem indicação profissional e publicar os efeitos em vídeos, transformando reações provocadas pelas substâncias em uma espécie de pontuação simbólica entre os participantes.

A expressão tem origem no universo dos jogos. “Farmar”, derivado do inglês farming, descreve a repetição de determinadas ações para acumular recursos ou pontos. Nas redes sociais, “aura” passou a representar informalmente carisma, presença ou prestígio. A combinação dos termos acabou sendo incorporada a diferentes brincadeiras virtuais, entre elas essa prática envolvendo medicamentos.

Nos relatos sobre o desafio, calmantes, ansiolíticos e analgésicos de uso controlado aparecem entre os medicamentos utilizados. Reações como sonolência, fala arrastada e euforia são registradas e compartilhadas, e efeitos considerados mais intensos podem render maior reconhecimento simbólico dentro do grupo.

Remédios podem estar sendo retirados de dentro de casa

Um aspecto que aumenta a preocupação é a origem dos medicamentos. Os relatos indicam que comprimidos podem ser retirados de armários e outros locais onde os remédios utilizados pelos pais ou responsáveis ficam armazenados.

O acesso doméstico pode fazer com que substâncias prescritas para uma pessoa sejam ingeridas por outra sem avaliação profissional, sem conhecimento sobre dose adequada, contraindicações ou possíveis interações. Entre adolescentes, o risco também pode envolver a associação com bebidas alcoólicas ou outras substâncias.

O uso recreativo de medicamentos controlados pode provocar dependência química, depressão respiratória, arritmias cardíacas, convulsões e até levar à morte. Também são apontados possíveis impactos sobre memória, aprendizagem e controle de impulsos durante uma fase de desenvolvimento cerebral.

Mudanças de comportamento podem servir de alerta

A prevenção passa pelo armazenamento dos medicamentos em locais de acesso restrito e pela atenção a alterações de comportamento. Isolamento, sonolência excessiva e oscilações de humor estão entre os sinais que podem justificar maior atenção dos responsáveis.

O diálogo também ganha importância diante de desafios que transformam comportamentos de risco em mecanismos de pertencimento e reconhecimento social. A recomendação é abordar os perigos do uso de medicamentos sem orientação e criar espaço para que adolescentes relatem pressões ou situações vivenciadas nas redes.

Farmacêuticos também desempenham papel nesse cuidado ao orientar sobre armazenamento, riscos da automedicação e uso correto dos produtos, além de observar as exigências para dispensação de medicamentos sujeitos a controle.

Status virtual pode esconder consequências reais

A lógica do desafio acrescenta um componente diferente ao problema: os efeitos provocados pelo medicamento deixam de ser percebidos apenas como consequência da ingestão e passam a funcionar como parte da própria disputa por atenção.

Nesse ambiente, reações potencialmente perigosas podem ser interpretadas pelos participantes como algo capaz de gerar mais “aura”, visualizações ou reconhecimento entre colegas. Uma brincadeira virtual pode, dessa forma, expor adolescentes a consequências que ultrapassam o momento da publicação.

Jovens que estejam sendo pressionados a participar desse tipo de desafio devem procurar um adulto de confiança, a escola ou serviços de saúde. Para pais e responsáveis, restringir o acesso aos medicamentos e acompanhar mudanças repentinas de comportamento são medidas que ajudam a reduzir a possibilidade de uma disputa por status nas redes terminar em uma emergência de saúde.

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