Ciência e Tecnologia • 17:08h • 02 de setembro de 2026
O que esperar do novo telescópio lançado pela NASA que enxerga áreas 100 vezes maiores que o Hubble
Nancy Grace Roman já está a caminho de seu destino a 1,5 milhão de quilômetros da Terra e promete mapear bilhões de galáxias, investigar o Universo escuro e procurar novos planetas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Urania Planetário | Foto: Reprodução
O mais novo telescópio espacial da NASA já está viajando pelo espaço e, depois do lançamento realizado no último domingo (30), começa agora uma etapa decisiva antes de mostrar do que é capaz. O Nancy Grace Roman Space Telescope seguirá até uma região a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra e passará pelos próximos meses em testes e calibrações. Quando começar a produzir ciência, no início de 2027, terá uma vantagem impressionante: poderá observar áreas do céu pelo menos 100 vezes maiores que as registradas pelo Hubble de uma só vez.
O Roman decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 8h26, no horário de Brasília, a bordo de um Falcon Heavy da SpaceX. Após se separar do foguete, estabeleceu comunicação normalmente e iniciou a viagem em direção ao segundo ponto de Lagrange entre o Sol e a Terra, o L2.
Na segunda-feira (31), a NASA confirmou a abertura dos painéis solares e do escudo térmico. Agora começa o comissionamento, período de aproximadamente três meses em que instrumentos e sistemas serão acionados, verificados e calibrados antes das observações científicas.
Um olhar muito mais amplo para o Universo
O grande diferencial do Roman não está simplesmente em enxergar mais longe. Sua principal capacidade será observar enormes porções do céu mantendo uma resolução comparável à do Hubble. Isso será possível graças ao Wide Field Instrument, câmera infravermelha de aproximadamente 300 megapixels.
Em uma única imagem, o telescópio poderá registrar uma região equivalente a cerca de 1,5 vez o tamanho aparente da Lua cheia no céu. Essa combinação permitirá estudar grandes populações de estrelas e galáxias e construir extensos mapas do Universo.
“O Roman não foi desenvolvido simplesmente para substituir o Hubble ou o James Webb. A grande diferença está justamente na capacidade de observar extensas regiões do céu com grande qualidade”, explica o professor Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário.
Bilhões de galáxias e novos mundos no radar
Entre as grandes questões que o Roman tentará investigar estão a matéria escura e a energia escura, componentes fundamentais para compreender a estrutura e a expansão do Universo. Os levantamentos também permitirão estudar como galáxias e outras estruturas cósmicas se formaram e evoluíram.
Outra missão será procurar exoplanetas, mundos que orbitam estrelas além do Sistema Solar. Para isso, o observatório também leva um coronógrafo experimental capaz de bloquear a intensa luz de uma estrela e facilitar a observação da luz muito mais fraca refletida pelos planetas ao redor dela. A tecnologia servirá como teste para futuras gerações de telescópios.
As primeiras imagens científicas são esperadas para o início de 2027. É a partir delas que o Roman começará a cumprir a promessa que torna sua missão diferente das anteriores: em vez de concentrar o olhar em pequenas regiões, poderá vasculhar grandes áreas do Universo e encontrar objetos que posteriormente poderão ser investigados em detalhes por outros observatórios.
O telescópio homenageia Nancy Grace Roman (1925–2018), primeira chefe de astronomia da NASA e uma das responsáveis pela consolidação da astronomia espacial na agência. Sua defesa de um grande observatório espacial que posteriormente se tornaria o Hubble lhe rendeu o apelido de “mãe do Hubble”. Agora, seu nome viaja pelo espaço em um telescópio projetado para ampliar justamente o legado que ela ajudou a construir.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro