Saúde • 17:05h • 21 de janeiro de 2026
O mito dos 10 mil passos: quanto movimento o corpo realmente precisa para ganhar saúde
Especialista explica por que regularidade e constância valem mais do que metas fixas e como caminhar do jeito certo faz diferença
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mayo Clinic | Foto: Arquivo/Âncora1
A meta dos 10 mil passos diários se popularizou como sinônimo de vida saudável, mas a ciência mostra que o número não é uma regra absoluta. Segundo especialistas em saúde e movimento, os benefícios da caminhada estão muito mais ligados à regularidade da atividade física do que ao cumprimento rígido de uma meta específica de passos ao dia.
De acordo com Mackenzie Long, profissional da área de fisioterapia e medicina esportiva do Mayo Clinic Health System, monitorar os passos é uma ferramenta útil para entender o quanto o corpo se movimenta ao longo do dia, independentemente do dispositivo utilizado. Celular, smartwatch ou pedômetro cumprem a mesma função, desde que sejam usados com constância.
O ponto central, segundo o especialista, não está no número final exibido na tela, mas no estímulo ao movimento. Alertas e metas ajudam a interromper longos períodos de sedentarismo, e isso faz diferença para a saúde. A principal recomendação continua sendo acumular cerca de 150 minutos semanais de atividade física, conforme orientações internacionais.
A caminhada regular está associada a uma série de benefícios. Entre eles, controle da pressão arterial, auxílio na perda ou manutenção do peso, melhora do equilíbrio e da coordenação, fortalecimento do core, redução do estresse e melhora do humor, além de ajudar no controle do diabetes e na redução do risco de doenças cardiovasculares. Estudos também apontam impactos positivos no sono, na saúde cerebral, na redução do risco de demência e até na diminuição da incidência de alguns tipos de câncer.
Para pessoas em processo de emagrecimento com acompanhamento médico, seja após cirurgia bariátrica ou com uso de medicamentos como os agonistas de GLP-1, a atividade física ganha papel ainda mais relevante. Segundo Long, manter-se ativo ajuda a preservar massa muscular e densidade óssea, potencializa o efeito dos medicamentos e contribui para uma perda de peso mais sustentável ao longo do tempo.
Não existe, porém, um número mágico de passos que sirva para todos. Pesquisas indicam que caminhar 10 mil passos por dia pode reduzir o risco de morte prematura, mas mostram também que a maior parte desse benefício ocorre na faixa entre 4 mil e 8 mil passos diários. A partir daí, os ganhos continuam, porém tendem a se estabilizar.
Outro ponto importante é que todos os passos contam. Caminhadas curtas ao longo do dia, passear com o cachorro, cuidar do quintal, circular pela casa ou fazer pequenas tarefas domésticas têm efeito cumulativo no organismo. Não é necessário concentrar todo o movimento em um único treino estruturado.
Quanto à intensidade, o chamado ritmo acelerado varia de pessoa para pessoa. Em média, corresponde a uma velocidade entre 4,8 e 5,6 km/h, mas o chamado “teste da conversa” é uma forma simples de se orientar. Se é possível falar, mas não sustentar uma conversa longa sem esforço, o ritmo já é considerado adequado. Caminhar mais devagar, ainda assim, é melhor do que não se movimentar.
Para quem deseja começar, a recomendação é avançar aos poucos e com constância, respeitando os sinais do próprio corpo. Pequenas estratégias do dia a dia ajudam a aumentar o número de passos, como estacionar mais longe, levantar enquanto espera algo, dividir tarefas em mais deslocamentos ou até caminhar enquanto assiste televisão.
O consenso entre especialistas é claro: mais importante do que alcançar um número específico é manter o corpo em movimento com frequência. Mesmo caminhadas curtas, quando feitas diariamente, geram respostas positivas no organismo e contribuem para a saúde física e mental ao longo do tempo.
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