Saúde • 16:00h • 30 de outubro de 2026
Novo teste para detectar risco de câncer do colo do útero chega ao SUS em 26 estados
Exame molecular identifica HPV de alto risco antes do surgimento de lesões e permite ampliar para cinco anos o intervalo entre testes negativos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MS | Foto: Divulgação
O Sistema Único de Saúde (SUS) já disponibiliza o teste molecular DNA-HPV para rastreamento do câncer do colo do útero em municípios de 26 unidades da federação, incluindo São Paulo. A tecnologia identifica infecções por tipos de HPV associados ao desenvolvimento da doença antes do aparecimento de lesões, permitindo acompanhamento e investigação mais precoces. A implantação ocorre de forma gradual, e o Ministério da Saúde contabiliza 153 mil amostras coletadas entre 2025 e 2026.
Somente neste ano, 93 mil exames foram processados, dos quais 9.904 apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco. O teste identifica a presença do vírus, incluindo os tipos 16 e 18, considerados de maior risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Um resultado positivo não significa diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de acompanhamento conforme os protocolos de saúde.
Uma das principais vantagens da nova tecnologia é a possibilidade de ampliar o intervalo entre os exames para cinco anos quando o resultado é negativo, conforme as recomendações de rastreamento. O método também reduz a ocorrência de amostras insatisfatórias e permite maior agilidade na liberação dos resultados.
Como funciona o novo exame pelo SUS
A coleta do DNA-HPV é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações previstas pelo protocolo, também pode ocorrer por autocoleta, após orientação profissional, facilitando o acesso ao rastreamento.
O exame preventivo Papanicolau continua disponível e permanece como uma alternativa segura e eficaz enquanto o novo teste é incorporado progressivamente à rede pública.
Até o momento, todas as unidades da federação, com exceção do Espírito Santo, receberam materiais e iniciaram a realização dos exames em pelo menos um município. A implantação envolve capacitação das equipes e organização dos serviços para garantir o acompanhamento das pacientes que apresentarem alterações.
Brasil pode registrar 19,3 mil novos casos por ano
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028.
A doença pode se desenvolver sem apresentar sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância do rastreamento. Entre os sinais que merecem avaliação médica estão sangramento durante ou após a relação sexual, sangramento fora do período menstrual ou depois da menopausa, dor durante as relações e corrimento vaginal com sangue ou odor desagradável.
Em situações mais avançadas, podem ocorrer dores na região pélvica ou lombar, cansaço intenso, alterações renais e inchaço nas pernas.
Além do rastreamento, a vacinação contra o HPV permanece como uma das principais estratégias de prevenção. Em 2025, o Brasil alcançou cobertura vacinal de 87% entre meninas e 74% entre meninos de 9 a 14 anos, segundo o Ministério da Saúde.
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