Policial • 14:16h • 21 de agosto de 2026
Novo centro vai integrar polícias penais para sufocar comunicação do crime organizado
Nova estrutura começa a funcionar ainda em agosto e reunirá inteligência das polícias penais federal, estaduais e do Distrito Federal para integrar informações e dificultar a comunicação de organizações criminosas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
O Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) começará a funcionar ainda em agosto com a missão de integrar informações das polícias penais federal, estaduais e do Distrito Federal e fortalecer o combate a crimes planejados a partir de presídios. A entrada em operação foi confirmada na quarta-feira (19) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e prevê atuação contínua, compartilhamento de dados e protocolos coordenados entre as forças envolvidas.
Instituído em junho por meio da Portaria Ministerial 1.234, o Cnip integra o projeto Padrão Segurança Máxima, vinculado ao programa federal Brasil Contra o Crime Organizado. A estrutura será responsável por coordenar a Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen).
Entre suas atribuições estão integrar, consolidar e difundir informações de inteligência penal, acompanhar situações de crise e oferecer suporte técnico para decisões da Secretaria Nacional de Políticas Penais e dos entes federativos. Um dos principais focos será dificultar a comunicação entre integrantes de organizações criminosas dentro e fora das unidades prisionais.
Celulares estão no centro da estratégia
O combate à entrada e ao uso ilegal de celulares nos presídios aparece como uma das frentes prioritárias. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o problema envolve uma cadeia que começa em crimes como furto e roubo, passa pela receptação e, em determinados casos, termina com os aparelhos chegando às mãos de organizações criminosas dentro das prisões.
Para o ministro, enfrentar esse fluxo exige integração entre as forças federais e estaduais. O objetivo é atuar tanto na circulação irregular dos aparelhos fora dos presídios quanto na tentativa de impedir que eles sejam utilizados por pessoas privadas de liberdade para manter contatos externos e articular atividades criminosas.
Os primeiros resultados apresentados pelo ministério ajudam a dimensionar essa frente de atuação. Na Operação Última Chamada, realizada entre 10 e 19 de agosto, foram recuperados 6.052 celulares e efetuadas 97 prisões em flagrante. A ação fiscalizou ainda 227 estabelecimentos comerciais e enviou mais de 33 mil alertas a pessoas que estavam em posse de aparelhos irregulares.
Quase 10 mil celas foram revistadas
Dentro do sistema penitenciário, operações realizadas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais em parceria com estados e Distrito Federal resultaram na apreensão de 2.254 celulares entre maio e agosto deste ano.
As equipes revistaram quase 9,9 mil celas distribuídas por 295 unidades prisionais do país. Os números fazem parte da estratégia de interromper a circulação de aparelhos que podem permitir a manutenção de contatos e atividades criminosas a partir dos presídios.
O ministério também aponta redução nos registros de roubos e furtos de celulares. As ocorrências passaram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026, queda de 4,5%. Em números absolutos, foram 10.055 registros a menos entre os dois períodos.
Inteligência passa a operar de forma integrada
Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, combater a circulação ilegal de celulares dentro do sistema prisional também interfere em crimes que atingem diretamente a população. Ele relacionou essa cadeia à aplicação de golpes e a outras atividades criminosas, incluindo crimes letais intencionais.
Com a entrada em funcionamento do Cnip, o governo federal pretende concentrar e compartilhar informações produzidas pelos diferentes órgãos de inteligência penitenciária, acompanhar crises e ampliar a coordenação das ações realizadas nos estados e no Distrito Federal.
A estratégia acrescenta uma estrutura permanente de inteligência às operações de fiscalização e apreensão já realizadas no sistema penitenciário, com foco especial em impedir que presídios sejam utilizados como pontos de articulação de organizações criminosas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro