Economia • 10:52h • 29 de agosto de 2026
Nova lei permite reduzir impostos sobre combustíveis para conter impactos da crise no Oriente Médio
Medida autoriza compensação da perda de arrecadação com receitas extras geradas pela valorização do petróleo e também abre espaço para incentivos a minerais estratégicos e fertilizantes
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
O governo federal sancionou a Lei Complementar nº 235, de 27 de agosto de 2026, que estabelece regras para permitir a redução de tributos federais incidentes sobre a importação, produção e comercialização dos principais combustíveis. Publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 28 de agosto, a medida cria um mecanismo para amenizar impactos econômicos provocados no mercado internacional de energia pelo conflito no Oriente Médio.
O texto havia sido aprovado pelo Senado no início de agosto, depois de passar pela Câmara dos Deputados. A nova legislação não determina, por si só, uma redução imediata dos preços dos combustíveis, mas estabelece as condições para que o governo possa conceder renúncias tributárias nesse cenário.
O ponto central está justamente na forma de compensação. Caso tributos sobre combustíveis sejam reduzidos e a União deixe de arrecadar parte dessas receitas, o governo poderá considerar recursos extraordinários obtidos em decorrência da valorização internacional do petróleo.
Petróleo mais caro pode financiar redução de tributos
A lógica prevista na lei conecta dois efeitos do mesmo movimento internacional. Enquanto a alta do petróleo pode aumentar a pressão sobre os custos de energia e combustíveis, ela também pode gerar receitas extraordinárias para a União.
Esses recursos adicionais poderão ser utilizados para compensar eventual renúncia de arrecadação provocada pela diminuição das alíquotas federais sobre os combustíveis.
A legislação, portanto, cria uma ferramenta tributária para que o governo tenha margem de atuação diante das oscilações provocadas pelo cenário externo. O texto sancionado trata de tributos relacionados à importação, produção e comercialização dos principais combustíveis.
Lei também alcança fertilizantes e minerais estratégicos
Embora os combustíveis sejam o ponto de maior impacto direto para o consumidor, a nova legislação vai além do setor energético. O texto também cria condições para benefícios tributários relacionados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Outra frente contemplada é o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, permitindo incentivos a um setor considerado estratégico para o país.
Com isso, a Lei Complementar nº 235 reúne medidas que alcançam energia, mineração e fertilizantes, setores diretamente relacionados a cadeias produtivas importantes da economia brasileira.
Copa do Mundo Feminina de 2027 também aparece na nova lei
O texto sancionado ainda prevê tratamento tributário específico para iniciativas relacionadas à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada pelo Brasil.
A nova legislação já está publicada e pode ser consultada na íntegra no site do Planalto.
Para os consumidores, o principal ponto é distinguir autorização de redução efetiva: a lei cria as condições para diminuir tributos federais sobre combustíveis e estabelece como essa renúncia poderá ser compensada, mas isso não significa que os preços nas bombas sejam automaticamente reduzidos a partir da publicação da norma.
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