Gastronomia & Turismo • 17:23h • 12 de agosto de 2026
Noronha que poucos conhecem: 8 curiosidades escondidas debaixo do mar
Montanhas vulcânicas, um navio de guerra a 62 metros de profundidade, encontros com tubarões e até “salões de beleza” de tartarugas revelam uma Noronha que vai muito além das praias
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EDB Comunicação | Foto: Fabi Fregonesi e Raphael Gatti
Fernando de Noronha comemorou aniversário no início desta semana, mas uma parte fascinante do arquipélago permanece longe dos olhos da maioria dos turistas. Debaixo das águas transparentes estão montanhas vulcânicas, cânions, naufrágios, túneis naturais e uma intensa vida marinha que ajudam a explicar por que o destino pernambucano desperta interesse muito além de suas praias.
Esse universo foi documentado pelos fotógrafos subaquáticos Fabi Fregonesi e Raphael Gatti, responsáveis pelo projeto Panorâmicas de Noronha. O trabalho reuniu imagens de 16 pontos submersos utilizando uma técnica que combina de três a mais de 24 fotografias para formar uma única panorâmica.
O aniversário também chega em um momento de valorização do turismo ligado à natureza. Dados apresentados pelo ICMBio e pelo Ministério do Turismo apontam que as Unidades de Conservação federais movimentaram R$ 40,7 bilhões na economia brasileira em 2025.
Mas o que existe, afinal, quando se deixa a superfície de Noronha para trás? Algumas respostas parecem cenário de filme.
1. A ilha é apenas o topo de uma enorme estrutura vulcânica
Aquilo que os turistas enxergam é somente uma pequena parte de Fernando de Noronha. O arquipélago corresponde à porção que emerge de uma grande formação vulcânica submersa no Atlântico.
Sob a água, a paisagem continua em paredões, cânions e estruturas rochosas que descem dezenas de metros. Em condições favoráveis, a visibilidade horizontal pode chegar a cerca de 50 metros.
2. Encontrar um tubarão não é algo tão incomum
Noronha abriga espécies como tubarão-lixa, tubarão-de-recife e tubarão-limão. Entre junho e setembro, segundo os fotógrafos, tubarões-lixa costumam se reunir na região durante o período reprodutivo.
Para Raphael Gatti, a presença desses animais também ajuda a revelar a condição ambiental do arquipélago. “Quando há tubarões no topo da cadeia alimentar, significa que todo o ecossistema está funcionando em equilíbrio”, afirma.
3. Uma montanha escondida ajudou a afundar uma corveta
O Cabeço da Sapata é uma montanha submarina com mais de 40 metros de altura. Na maré baixa, seu topo pode ficar a menos de dois metros da superfície.
Foi nessa formação que a Corveta Ipiranga, da Marinha do Brasil, colidiu em outubro de 1983, antes de afundar. Para quem observa o oceano da superfície, é difícil imaginar a dimensão da estrutura escondida logo abaixo.

4. E o navio continua lá, a 62 metros de profundidade
A Corveta Ipiranga permanece no fundo do mar, a aproximadamente 62 metros de profundidade, e tornou-se um dos naufrágios mais conhecidos entre mergulhadores no Brasil.
A embarcação conserva grande parte de sua estrutura e foi um dos cenários registrados pelo projeto Panorâmicas de Noronha.
5. Tartarugas frequentam verdadeiros “salões de beleza”
Em alguns recifes existem as chamadas estações de limpeza. Nelas, pequenos peixes retiram parasitas e algas das tartarugas e de outros animais.
É uma relação natural em que diferentes espécies se beneficiam e uma das cenas que ajudam a mostrar a complexidade da vida escondida sob as águas do arquipélago.

6. Há uma “caveira” esculpida pela própria natureza
Em Pedras Secas II, um conjunto de rochas ganhou dos mergulhadores o apelido de Caveirão. Duas aberturas lembram os olhos de uma enorme caveira.
Apesar da aparência curiosa, não existe mistério sobre sua origem: a formação é resultado da ação do oceano sobre as rochas vulcânicas ao longo de milhões de anos.
7. A transparência da água ajuda a explicar a fama entre mergulhadores
A temperatura da água permanece entre 26ºC e 29ºC ao longo do ano, enquanto a visibilidade pode ultrapassar 40 metros e, em determinadas condições, chegar a aproximadamente 50 metros.
É nesse cenário que mergulhadores podem encontrar tartarugas, arraias, tubarões, grandes cardumes, formações vulcânicas e naufrágios.

8. Noronha também é um laboratório de conservação
O arquipélago reúne turismo e alguns dos projetos de pesquisa e conservação marinha mais conhecidos do país. O Projeto Tamar atua na proteção das tartarugas marinhas desde 1984, enquanto iniciativas dedicadas aos golfinhos-rotadores, tubarões e raias acompanham populações que vivem ou passam pela região.
Assim, o aniversário de Fernando de Noronha celebrado no início desta semana também oferece um motivo para olhar além das imagens clássicas de praias e mirantes. Grande parte da história natural que torna o arquipélago tão singular continua escondida debaixo do Atlântico.
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