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Responsabilidade Social • 13:49h • 15 de maio de 2026

Número de brasileiros com TEA reacende discussão sobre precisão diagnóstica

Avanço dos casos de TEA reacende discussões sobre precisão diagnóstica, personalização dos tratamentos e impacto nas pesquisas científicas

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Temma | Foto: Arquivo

Debate sobre autismo avança com foco em intervenções mais individualizadas
Debate sobre autismo avança com foco em intervenções mais individualizadas

O Brasil passou a contabilizar 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo dados inéditos do Censo 2022 do IBGE. O crescimento dos diagnósticos ampliou o debate entre pesquisadores e profissionais da saúde sobre os limites do espectro autista, a precisão clínica dos diagnósticos e a necessidade de tratamentos mais individualizados.

A discussão ganhou repercussão internacional após declarações da psicóloga britânica Uta Frith, considerada uma das principais referências mundiais no estudo do autismo e uma das responsáveis pela consolidação do conceito de espectro autista. Em entrevista recente ao jornal The Times, a especialista afirmou que a ampliação do espectro pode ter ultrapassado o que considera clinicamente útil.

O posicionamento reacendeu questionamentos já presentes na comunidade científica sobre os desafios de reunir perfis cognitivos, comportamentais e biológicos muito diferentes dentro da mesma classificação diagnóstica.

Segundo a vice-presidente clínica da Genial Care, Thalita Possmoser, a prática clínica já demonstra que crianças com perfis distintos exigem abordagens específicas e personalizadas. “O debate levantado por Frith reforça algo que já é evidente na prática clínica do dia a dia: não é possível tratar o espectro como um bloco único. Crianças com perfis diferentes precisam de estratégias completamente diferentes, tanto em abordagem quanto em intensidade e objetivos”, afirma.

Perfis diferentes exigem estratégias diferentes

O ponto central da discussão não está em negar a diversidade de manifestações do autismo, mas em compreender como diagnósticos muito amplos podem dificultar pesquisas científicas e tornar intervenções menos precisas.

Uta Frith destacou que agrupar pacientes com características muito distintas pode tornar os resultados de pesquisas mais difíceis de interpretar, além de dificultar a definição de estratégias terapêuticas mais eficazes. O debate ocorre em um cenário de crescimento global dos diagnósticos de TEA, pressionando sistemas de saúde, redes de atendimento e estruturas familiares em diferentes países.

No Brasil, famílias relatam dificuldades frequentes para manter tratamentos contínuos e estruturados. Dados do estudo “Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil”, da Genial Care, apontam que 79% das famílias enfrentam dificuldades financeiras para custear terapias relacionadas ao TEA.

Para Thalita Possmoser, um dos desafios do modelo tradicional está no foco excessivo na quantidade de horas de terapia, sem avaliação clara dos objetivos terapêuticos e dos avanços alcançados. “Durante muito tempo, o setor se organizou em torno da quantidade de horas de terapia. Mas a pergunta mais importante não é ‘quantas horas’, e sim ‘quais habilidades estamos desenvolvendo e como medimos esse avanço’”, explica.

A especialista ressalta que o excesso de sessões também pode gerar impacto negativo na rotina familiar sem necessariamente trazer os resultados esperados para o desenvolvimento da criança.

Tratamentos personalizados e uso de tecnologia ganham espaço

Na prática clínica, o movimento atual busca ampliar a personalização dos tratamentos, levando em consideração fatores cognitivos, sensoriais, comportamentais e emocionais de cada paciente.

Segundo Thalita Possmoser, atividades lúdicas passaram a ser utilizadas como ferramenta clínica para estimular comunicação, interação social e autonomia de maneira mais natural e alinhada ao perfil individual de cada criança. “Quando usamos atividades lúdicas, conseguimos transformar momentos naturais da criança em oportunidades reais de desenvolvimento. Não se trata apenas de engajamento, mas de intervenção com objetivo clínico claro”, afirma.

Outro avanço apontado pela especialista está na incorporação de tecnologia para acompanhamento contínuo da evolução terapêutica. O objetivo é oferecer maior participação das famílias no processo e mais clareza sobre o progresso das crianças.

O debate sobre precisão diagnóstica também acontece em meio ao aumento das demandas envolvendo planos de saúde. Dados do Procon-SP, por meio da pesquisa “Pessoa com Deficiência x Mercado de Consumo”, apontam que 19,6% dos entrevistados relataram dificuldades nas relações de consumo com operadoras de saúde.

Especialistas defendem equilíbrio entre inclusão e precisão clínica

Para especialistas da área, o principal desafio atual é equilibrar o reconhecimento da diversidade de perfis dentro do espectro autista com a necessidade de diagnósticos e intervenções mais específicos.

A avaliação é de que o futuro do cuidado ao autismo passa menos pela ampliação de categorias diagnósticas e mais pela compreensão individual das necessidades de cada criança.

“Na prática clínica, isso significa sair de modelos padronizados e avançar para abordagens que combinam precisão diagnóstica, acompanhamento contínuo e intervenções adaptadas à realidade de cada criança”, conclui Thalita Possmoser.

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