Esporte • 11:23h • 04 de setembro de 2026
Mulheres buscam artes marciais para ganhar confiança, autonomia e preparo diante de situações de risco
Pesquisa aponta que 57,9% das entrevistadas gostariam de aprender a lutar para se proteger; prática também é associada a condicionamento físico, consciência corporal e socialização
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Divulgação
Aprender a lutar para se proteger é uma das principais razões que aproximam mulheres das artes marciais. Uma pesquisa nacional realizada em 2026 pela Maximum Boxing aponta que 57,9% das entrevistadas gostariam de aprender alguma modalidade como forma de proteção, enquanto 54% consideram que a prática aumenta a autonomia. Em Ribeirão Preto, experiências no Taekwondo mostram que os efeitos do treinamento também chegam à autoconfiança, ao condicionamento físico e à maneira de estabelecer limites no cotidiano.
No Centro de Educação Física, Esportes e Recreação (Cefer) da USP, a professora de Taekwondo Izabela Guerra Pereira afirma perceber uma procura feminina constante pela modalidade nos quatro anos em que atua no local. Para ela, o ambiente universitário favorável à atividade física e a presença de uma mulher conduzindo os treinamentos também podem contribuir para essa participação.
As motivações, porém, não se restringem à defesa pessoal. Marina Canevazzi, estudante de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, começou no Taekwondo porque buscava uma atividade mais intensa para melhorar o condicionamento físico. Com o treinamento, passou a perceber mudanças que ultrapassaram esse objetivo inicial.
Confiança também aparece fora do treino
Marina relata que se tornou mais segura na comunicação e na forma de se posicionar diante de outras pessoas. A mudança também alcançou situações desconfortáveis nas quais precisa estabelecer limites. “Eu sinto que eu reajo melhor e eu consigo impor mais limites, principalmente falar não em algumas situações que poderiam me colocar em algum tipo de risco”, afirma.
A experiência ajuda a entender por que autonomia e proteção aparecem entre as motivações das mulheres que procuram modalidades de luta. O treinamento trabalha movimentos e reações, mas também exige atenção aos estímulos, tomada de decisões e controle em situações de estresse.
Isso não significa, entretanto, que conhecer uma arte marcial elimine a vulnerabilidade diante de uma situação de violência. Izabela ressalta que há outros fatores envolvidos e que mesmo sua experiência não impede que se sinta vulnerável em determinados lugares e circunstâncias.
Atenção ao ambiente pode mudar com o treinamento
Entre as transformações percebidas pela professora está uma maior atenção ao que acontece ao redor. A experiência acumulada durante os treinos pode contribuir para reconhecer estímulos e identificar sinais associados a possíveis riscos.
“Eu acredito que a gente fique mais atenta, talvez mais sensível a sinais que possam indicar riscos”, afirma Izabela. A professora evita, porém, apresentar a prática como garantia de segurança, destacando que situações de violência envolvem circunstâncias que vão além da capacidade individual de reação.
Acolhimento ajuda mulheres a permanecer no esporte
Outro fator apontado pelas praticantes é o ambiente encontrado durante os treinamentos. A professora destaca a importância de estabelecer regras de respeito, acompanhar a evolução individual e mediar comportamentos para que as participantes se sintam acolhidas.
Para Marina, a rede de apoio criada na turma tornou-se um dos motivos para continuar frequentando as aulas. Além do desenvolvimento físico e técnico, a convivência proporcionada pelo esporte passou a ocupar espaço importante em sua experiência com o Taekwondo.
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