Ciência e Tecnologia • 09:54h • 24 de maio de 2026
Mudanças ligadas ao Alzheimer podem surgir no fim dos 50 anos, diz estudo
Pesquisa identificou alterações cerebrais e sanguíneas décadas antes do surgimento dos primeiros sintomas da doença
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Mudanças biológicas associadas à doença de Alzheimer podem começar ainda no fim dos 50 anos, muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas de perda de memória. A conclusão é de um estudo da Mayo Clinic publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association.
A pesquisa analisou dados de mais de 2 mil participantes e identificou que alterações relacionadas ao Alzheimer tendem a se acelerar entre o final dos 50 anos e o início dos 70 anos, reforçando a importância da detecção precoce da doença.
O Alzheimer é a forma mais comum de demência e está associado ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, como beta-amiloide e tau. Atualmente, não existe cura para a doença, mas especialistas destacam que identificar sinais precoces pode ajudar pacientes e famílias a planejarem melhor o cuidado e ampliarem as possibilidades de tratamento.
Segundo Mingzhao Hu, professor assistente do Departamento de Ciências Quantitativas da Saúde da Mayo Clinic e primeiro autor do estudo, os pesquisadores observaram padrões importantes relacionados ao envelhecimento cerebral. “Os resultados mostram que muitas dessas mudanças tendem a ocorrer do final dos 50 aos primeiros 70 anos”, afirma.
Alterações aparecem antes dos sintomas mais conhecidos
Os pesquisadores analisaram biomarcadores sanguíneos, exames de imagem cerebral e testes cognitivos para identificar em que momento as alterações relacionadas ao Alzheimer começam a se intensificar.
O estudo apontou que pequenas quedas no desempenho cognitivo já podem ser percebidas a partir do fim dos 50 anos. No início dos 60 anos, ocorre aceleração do acúmulo de beta-amiloide no cérebro, proteína considerada uma das principais características da doença.
Entre o final dos 60 e o início dos 70 anos, os cientistas identificaram avanço mais evidente de alterações ligadas à proteína tau, neurodegeneração e atrofia cerebral, principalmente em regiões associadas à memória.
Além disso, biomarcadores sanguíneos como GFAP, NfL e p-tau também apresentaram mudanças mais acentuadas nesse período.
Para Jonathan Graff-Radford, chefe de Neurologia Comportamental da Mayo Clinic e autor sênior da pesquisa, compreender essa linha do tempo pode mudar a forma como o Alzheimer é tratado no futuro. “À medida que a pesquisa sobre Alzheimer se volta para prevenção e tratamento mais precoce, os biomarcadores sanguíneos terão papel central na identificação de quem pode se beneficiar dessas terapias”, explica.
Exames de sangue ganham importância na detecção precoce
Os resultados também reforçam o avanço dos exames de sangue como ferramenta de rastreamento do Alzheimer. Segundo os pesquisadores, os testes apresentaram padrões semelhantes aos encontrados em exames de neuroimagem cerebral, o que amplia o potencial de monitoramento da doença de forma menos invasiva.
Os cientistas destacam que os achados representam tendências observadas na população e não previsões individuais exatas. Ainda assim, os dados ajudam a orientar futuras pesquisas sobre prevenção, rastreamento e evolução da doença.
O estudo integra a iniciativa Precure, projeto da Mayo Clinic voltado ao desenvolvimento de estratégias para identificar doenças neurodegenerativas antes do surgimento dos sintomas mais graves.
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