Responsabilidade Social • 14:21h • 10 de agosto de 2026
Meu SUS Digital amplia teleatendimentos para pessoas com problemas com jogos e apostas
Serviço assegura atendimento remoto, sigiloso e acolhedor, amplia o acesso ao cuidado em saúde mental e funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), incluindo suporte a familiares
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar, desde o dia 4 de agosto, até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço oferece atendimento remoto, sigiloso e acolhedor, com orientação e acompanhamento profissional, além de suporte aos familiares.
A iniciativa amplia o acesso ao cuidado em saúde mental e funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o atendimento remoto pode facilitar a busca por ajuda, especialmente entre pessoas que evitam os serviços de saúde por vergonha ou estigma.
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário à plataforma da AgSUS, parceira da iniciativa. A equipe é formada por psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados para oferecer escuta qualificada e atendimento sem julgamentos, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Quem possui o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular também recebeu uma notificação sobre o novo serviço, com orientações para agendar o atendimento.
O teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas começou em março, inicialmente com 600 atendimentos mensais, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Diante da procura pelo serviço, a capacidade foi ampliada para até 100 mil atendimentos mensais.
Como acessar
Para utilizar o serviço, é necessário entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta Gov.br. Depois, o usuário deve acessar a opção “Miniapps” e selecionar “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”.
Após realizar o autoteste, a pessoa será direcionada à plataforma da AgSUS. É necessário aceitar o Termo de Uso, responder a um formulário sobre a situação, preencher os dados cadastrais e informar se o atendimento será para o próprio apostador ou para um familiar.
Também é preciso escolher a forma de contato e concluir a solicitação. Ao final, o sistema gera um número de protocolo para acompanhamento.
Depois do agendamento, o usuário recebe a confirmação da consulta, o link para a videochamada, orientações para o atendimento e lembretes sobre horário e equipamentos necessários.
As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, duram cerca de 50 minutos e ocorrem, preferencialmente, uma vez por semana. O psicólogo pode indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de uma nova avaliação. Dependendo do caso, a pessoa pode receber alta, continuar em outro ciclo de teleconsultas ou ser encaminhada para atendimento presencial.
Na Rede de Atenção Psicossocial, também estão disponíveis serviços como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Atualmente, o país conta com 3.120 CAPS.
Sinais de alerta
Alterações no sono, na alimentação ou no humor, ansiedade, irritabilidade, dificuldade para interromper as apostas e sentimentos de culpa ou vergonha podem indicar uma relação problemática com jogos.
Também são sinais de alerta esconder ou mentir sobre as apostas, comprometer o orçamento ou os relacionamentos e utilizar os jogos para lidar com estresse, ansiedade ou frustração.
Plataforma de autoexclusão
O Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda mantêm o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, voltado ao monitoramento dos impactos das apostas na saúde e ao desenvolvimento de ações de prevenção e cuidado.
Entre as ferramentas está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite solicitar voluntariamente o bloqueio do CPF para impedir o acesso às plataformas de apostas autorizadas.
Mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão. Entre os usuários, 35% apontaram a perda de controle sobre o jogo como motivo. Também foram citadas a decisão voluntária de interromper as apostas (15,26%), dificuldades financeiras (11,82%) e recomendação de profissionais de saúde (1,32%).
Durante a Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, 387.645 pessoas solicitaram o bloqueio do CPF, número equivalente a 38% do total de pedidos registrados pela plataforma.
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