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Responsabilidade Social • 19:40h • 24 de novembro de 2025

Meu cachorro me dá “beijos” com lambidas, mas isso é seguro para a saúde?

Especialista do CEUB explica por que o gesto pode parecer carinho, mas oferece riscos mesmo em pets vacinados

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Carinho ou perigo? Especialista explica por que evitar o “lambeijo” do pet
Carinho ou perigo? Especialista explica por que evitar o “lambeijo” do pet

As lambidas dos cães costumam ser interpretadas pelos tutores como demonstrações de afeto. Porém, na semana em que o tema ganhou destaque nas redes, especialistas lembram que o hábito não é tão inofensivo quanto parece. Segundo a professora Fabiana Volkweis, médica-veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), o famoso “lambeijo” deve ser evitado, inclusive quando o animal está saudável, vermifugado e com todas as vacinas em dia.

A lambida, explica a docente, é um comportamento natural herdado dos ancestrais selvagens e usado pelos cães para aliviar o estresse, reforçar vínculos sociais e demonstrar respeito dentro da matilha. Esse mesmo instinto é direcionado ao tutor. “É a forma que o cão encontra para se comunicar, mas isso não significa que o gesto seja seguro”, afirma Fabiana.

O alerta ocorre porque a boca do cão abriga microrganismos que podem causar infecções em humanos. O animal utiliza a língua para higienização do próprio corpo, inclusive ao lamber áreas íntimas, feridas e ambientes contaminados. “A cavidade oral do cão pode conter vírus, bactérias, fungos e protozoários. As vacinas previnem doenças específicas, mas não impedem o contato com agentes patogênicos presentes no ambiente”, explica.

Entre as doenças que podem ser transmitidas pela saliva estão verminoses, infecções bacterianas, fungos e protozoários, como a giárdia. O protozoário é um dos agentes mais comuns associados à transmissão por lambidas, causando diarreia, dor abdominal e vômitos. “Quando o cão lambe o próprio ânus e depois lambe o tutor, a transmissão ocorre com facilidade”, reforça a veterinária.

Saúde bucal canina

A saúde bucal do animal também influencia os riscos. Placas bacterianas, tártaro e inflamação gengival podem liberar bactérias para a corrente sanguínea e comprometer órgãos vitais. “Cães com mau hálito, gengivas vermelhas ou perda dentária precisam de avaliação especializada”, orienta Fabiana. A escovação dental deve ser feita diariamente e o consumo de água limpa é essencial para evitar contaminações.

Para reduzir riscos sem punir o animal, a orientação é redirecionar o comportamento. Ignorar as lambidas, oferecer brinquedos, reforçar comandos e estimular outras formas de interação ajudam o cão a expressar carinho de maneira segura. “Com consistência, o pet aprende que o afeto do tutor não depende do lambeijo”, conclui a especialista do CEUB.

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