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Ciência e Tecnologia • 09:28h • 12 de novembro de 2024

Método de baixo custo desenvolvido pela USP remove micro e nanoplásticos da água

Estratégia desenvolvida na USP utiliza nanopartículas magnéticas capazes de se ligar a esse tipo de poluente, permitindo remover com ímã

Da Redação com informações da Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Os nanoplásticos estão se mostrando uma ameaça ainda mais perigosa que os microplásticos, pois podem penetrar barreiras biológicas importantes e alcançar os órgãos vitais.
Os nanoplásticos estão se mostrando uma ameaça ainda mais perigosa que os microplásticos, pois podem penetrar barreiras biológicas importantes e alcançar os órgãos vitais.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram uma abordagem nanotecnológica inovadora para remover micro e nanoplásticos da água, trazendo uma solução promissora para o problema da contaminação ambiental por esses poluentes invisíveis. A pesquisa, financiada pela Fapesp e publicada na revista Micron, destaca a utilização de nanopartículas magnéticas para capturar e degradar fragmentos plásticos de diferentes tamanhos, auxiliando tanto no tratamento quanto na sustentabilidade dos recursos hídricos.

Os microplásticos, fragmentos de até 1 milímetro originados de produtos comuns do cotidiano e do desgaste de materiais maiores, têm sido encontrados em todos os ambientes – do solo e das águas até o interior de organismos animais e humanos. Já os nanoplásticos, mil vezes menores, representam um risco ainda mais grave, pois conseguem penetrar barreiras biológicas e alcançar órgãos vitais, como o cérebro, como demonstrou um estudo recente.

O método desenvolvido utiliza nanopartículas magnéticas revestidas com polidopamina, um polímero que se adere fortemente aos plásticos na água. Segundo o coordenador do estudo, o professor Henrique Eisi Toma, do Instituto de Química da USP, essas nanopartículas, ao capturarem os fragmentos, podem ser removidas com a ajuda de um campo magnético. Além disso, o processo envolve enzimas, como a lipase, que degradam o plástico PET em componentes reutilizáveis, promovendo a reciclagem sustentável.

“O PET, que é amplamente usado em garrafas e outros produtos, ao ser degradado pela lipase, se transforma em moléculas que podem ser reintegradas na produção de novos materiais”, explica Toma. Embora o estudo atual tenha focado no PET, ele sugere que outras enzimas poderiam ser usadas para processar outros tipos de plásticos, como poliamidas e náilon.

As nanopartículas magnéticas, feitas de óxido de ferro e revestidas com polidopamina, foram sintetizadas e, em seguida, usadas para imobilizar a enzima lipase. Para monitorar o processo de captura e degradação dos plásticos, foi utilizada a técnica de microscopia Raman hiperespectral.

Apesar de avanços como esses, o problema dos resíduos plásticos é complexo. Além dos plásticos convencionais, até mesmo os bioplásticos, considerados uma alternativa mais sustentável, podem se fragmentar em micro e nanoplásticos. "Por serem biocompatíveis, esses fragmentos podem interagir diretamente com nossos organismos, causando reações indesejadas", alerta Toma. Ele também destaca que a água mineral engarrafada pode estar ainda mais contaminada por plásticos do que a água tratada, uma vez que não passa pelos mesmos processos de purificação, como filtração e flotação.

O desenvolvimento da nanotecnologia pela equipe da USP oferece uma estratégia viável para combater o problema da poluição plástica, mas, segundo Toma, é fundamental que gestores públicos e cientistas unam esforços para enfrentar esse desafio ambiental de forma abrangente e eficaz.

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