Educação • 08:22h • 20 de novembro de 2025
Metade dos envolvidos com tráfico de drogas não chega ao ensino médio
Dado faz parte de pesquisa do Instituto Data Favela em 23 estados
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Apenas dois em cada dez entrevistados envolvidos com o tráfico concluíram o ensino médio, segundo um estudo divulgado na segunda-feira (17). Para mais da metade, a vida escolar terminou antes dessa etapa.
O levantamento Raio-X da Vida Real, do Instituto Data Favela e da Cufa, ouviu 3.954 pessoas em favelas de 23 estados, entre 15 de agosto e 20 de setembro de 2025. Os dados mostram um cenário de baixa escolaridade:
- Ensino médio completo: 22%
- Ensino médio incompleto: 16%
- Ensino fundamental completo: 13%
- Ensino fundamental incompleto: 35%
- Sem instrução: 7%
Quando perguntados sobre o que fariam diferente na vida, 41% disseram que teriam estudado mais ou se formado. Para a Cufa, isso mostra que a educação é vista como um caminho que poderia ter mudado o futuro dessas pessoas.
Sobre cursos superiores, o mais desejado é Direito (18%), seguido de Administração (13%), Medicina/Enfermagem (11%), Engenharia/Arquitetura (11%) e Jornalismo/Publicidade (7%).
Segundo o estudo, a falta de acesso à educação e a oportunidades de trabalho de qualidade ajuda a explicar por que a maioria não consegue ganhar mais de dois salários mínimos.
Famílias e vínculos afetivos
Quanto à estrutura familiar, 35% cresceram em famílias tradicionais e 38% em famílias monoparentais — a maioria chefiada por mães. As pessoas mais importantes citadas foram a mãe (43%), filhos (22%), avó (7%) e pai (7%).
Sonhos e expectativas
O maior sonho de consumo é ter uma casa (28%), seguido de comprar uma casa para a família (25%). Entre jovens de 22 a 26 anos, esse desejo chega a 35%.
Saúde mental
Os entrevistados relataram enfrentar diversos problemas:
- Insônia: 39%
- Ansiedade: 33%
- Depressão: 19%
- Alcoolismo: 13%
- Crises de pânico: 9%
A ansiedade é mais comum entre quem ganha até um salário mínimo e também entre quem iniciou, mas não concluiu, o ensino superior (72%).
Além de fatores econômicos, alcoolismo, drogas e violência doméstica, citados por 13%, foram apontados como motivos para entrar no crime.
Falta de orgulho e falta de escolhas
A pesquisa mostra que 68% não sentem orgulho do que fazem, reforçando que muitos entram no tráfico por necessidade, não por desejo.
Principais problemas do país, segundo os entrevistados
- Pobreza e desigualdade: 42%
- Corrupção: 33%
- Violência: 11%
- Falta de acesso à educação: 7%
- Falta de acesso à saúde: 4%
Os pesquisadores destacam que a vida no crime é reflexo da falta histórica de políticas públicas e das desigualdades que afetam principalmente a população negra e favelada no Brasil.
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