Variedades • 14:31h • 01 de outubro de 2026
Mesmo salário, vidas financeiras bem diferentes: estudo identifica 4 perfis de trabalhadores brasileiros
Pesquisa da Serasa Experian mostra que planejamento, dívidas e capacidade de poupar criam diferenças expressivas mesmo entre profissionais de faixas de renda semelhantes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Edelman | Foto: Arquivo/Âncora1
Ter uma renda parecida não significa viver a mesma realidade financeira. Um estudo da Serasa Experian com trabalhadores brasileiros identificou quatro perfis de comportamento diante do dinheiro e mostrou diferenças que vão da capacidade de guardar recursos à inadimplência. Enquanto apenas 13% dos profissionais classificados como “Apertados” conseguem poupar regularmente pensando no futuro, entre os “Consolidados” o percentual chega a 85%.
A edição 2026 da pesquisa Bem-estar Financeiro dos Trabalhadores dividiu os entrevistados entre “Vivem o Agora”, “Apertados”, “Organizando o Futuro” e “Consolidados”. A classificação considera não apenas a renda, mas a maneira como cada pessoa administra orçamento, consumo, crédito e planejamento.
No conjunto dos entrevistados, 52% afirmam guardar algum dinheiro para o futuro. Os resultados, porém, mostram que a média esconde situações bastante diferentes entre pessoas inseridas no mercado de trabalho.
Quem são os quatro perfis
Os trabalhadores que “Vivem o Agora” são, em média, os mais jovens, com 36 anos. O grupo tem maior foco no presente e satisfação imediata, com menos planejamento financeiro. Apesar de 31% conseguirem guardar dinheiro regularmente, 55% estão inadimplentes e 66% foram negativados nos últimos 12 meses.
Os “Apertados” têm idade média de 41 anos e enfrentam maior pressão financeira. Apenas 13% guardam dinheiro regularmente pensando no futuro, 62% estão inadimplentes e 97% enfrentaram algum problema financeiro nos últimos cinco anos. Nesse grupo, 70% são mulheres.
Já quem está “Organizando o Futuro” apresenta maior preocupação com planejamento e controle financeiro. A idade média é de 39 anos, 55% conseguem poupar regularmente e 18% estão inadimplentes. As mulheres representam 61% desse perfil.
No outro extremo aparecem os “Consolidados”, com média de 43 anos. Entre eles, 85% guardam dinheiro regularmente, 87% afirmam ter planejamento organizado e sabem quanto podem gastar, enquanto apenas 7% estão inadimplentes. A nota média atribuída ao próprio controle financeiro é 8,45, ante 5,53 entre os “Apertados”.

Renda parecida não significa a mesma situação financeira
Um dos resultados destacados pela pesquisa aparece na comparação entre os “Apertados” e aqueles que estão “Organizando o Futuro”. Os dois grupos apresentam distribuição semelhante entre trabalhadores que recebem de dois a quatro salários mínimos, mas chegam a resultados financeiros bastante distintos.
Entre os “Apertados”, 43% recebem individualmente nessa faixa de renda, ante 47% entre aqueles que estão “Organizando o Futuro”. Apesar da proximidade, somente 12% dos primeiros chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente, contra 49% do segundo grupo.
A diferença também aparece no planejamento financeiro, presente em 21% dos “Apertados” e em 66% daqueles que estão se organizando. Quando o assunto é inadimplência, a relação se inverte: são 62% no primeiro grupo e 18% no segundo.
O parcelamento, entretanto, faz parte da realidade dos dois. Entre os “Apertados”, 91% dizem que parcelar é a única maneira de conseguir comprar algumas coisas, índice próximo aos 88% registrados entre os trabalhadores que estão “Organizando o Futuro”.
“Trabalhadores em faixas semelhantes de remuneração podem ter níveis muito diferentes de folga no orçamento, planejamento e necessidade de recorrer ao crédito”, afirma Délber Lage, diretor de soluções para RH da Serasa Experian.

Inteligência artificial já ajuda 60% a tirar dúvidas sobre dinheiro
A pesquisa também identificou a entrada da inteligência artificial na organização financeira dos trabalhadores. Seis em cada dez entrevistados já recorreram à IA para esclarecer dúvidas relacionadas a dinheiro, enquanto 74% afirmaram que confiariam na tecnologia para apoiar decisões financeiras.
Entre aqueles que “Vivem o Agora”, 73% já utilizaram inteligência artificial para esse tipo de dúvida. Entre os “Apertados”, são 50%.
A finalidade também muda conforme a situação financeira. Entre os “Apertados”, 44% apontam negociação ou organização de dívidas entre os usos da tecnologia, ante 12% dos “Consolidados”. Para aprender sobre investimentos, a proporção chega a 66% entre os “Consolidados” e 48% entre os “Apertados”.
Os quatro perfis aparecem em diferentes classes sociais, regiões, faixas etárias, modelos de contratação e portes de empresas. Para a Serasa Experian, essa diversidade também pode auxiliar áreas de Recursos Humanos a compreender diferentes momentos financeiros existentes dentro de uma mesma organização.
A pesquisa ouviu 1.008 trabalhadores de empresas públicas, empresas privadas no regime CLT e profissionais PJ, por meio de painel online, entre 12 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Assis tem 116 vagas em cursos gratuitos de logística, empilhadeira e informática; inscrições até domingo
Oportunidades fazem parte do Qualifica SP, que reúne 286 vagas presenciais na região; candidatos têm até 4 de outubro para se inscrever