Mundo • 16:08h • 05 de janeiro de 2026
Mercado de cannabis medicinal cresce no Brasil e expõe gargalos de regulação e produção
Expansão do número de pacientes pressiona por produção nacional, redução de custos e regras mais claras para consolidar o setor no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Casa9 | Foto: Divulgação
O mercado de cannabis medicinal no Brasil vive uma fase de crescimento acelerado e já movimenta discussões estratégicas sobre regulação, produção e desenvolvimento industrial. Em 2024, o país registrou 672 mil pacientes em tratamento com produtos à base de cannabis, alta de 56% em relação a 2023, segundo dados da Kaya Mind, plataforma de inteligência de mercado especializada no setor. O avanço, no entanto, ocorre em meio a entraves estruturais, como altos custos e forte dependência de extratos importados.
O tema foi um dos destaques do 10º Congresso Analítica, realizado dentro da Analitica Latin America, considerado o maior encontro do setor químico analítico da América Latina, promovido pela NürnbergMesse Brasil. A mesa-redonda reuniu representantes da indústria, da pesquisa e de entidades setoriais para discutir os caminhos da cadeia produtiva da cannabis medicinal no Brasil.
Participaram do debate Carolina Sellani, coordenadora do grupo de trabalho sobre insumos de cannabis da ABIQUIFI, Allan Rossini, supervisor de pesquisa, desenvolvimento e produção farmoquímica da FarmaUSA, e Ubiracir Fernandes Lima Filho, coordenador do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos da CAIQ.
Mesa-redonda sobre o mercado de cannabis no 10º Congresso Analitica | Foto: GN2 Conteúdo
Durante o painel, os especialistas apontaram que a consolidação do setor passa, necessariamente, pela formação de profissionais qualificados e por sistemas rigorosos de controle de qualidade. Para Ubiracir Fernandes, a ausência de mão de obra especializada ainda é um gargalo. Segundo ele, o crescimento do mercado exige técnicos e pesquisadores preparados para atuar em todas as etapas da cadeia produtiva.
Allan Rossini destacou o papel central da química analítica no desenvolvimento de produtos à base de cannabis. De acordo com o especialista, ela está presente desde a caracterização da planta até a padronização do produto final. O método de extração, por exemplo, influencia diretamente a composição dos canabinoides e a eficácia terapêutica do medicamento, o que reforça a importância de processos controlados e rastreáveis.
A regulação foi outro ponto central do debate. Carolina Sellani lembrou que, até poucos anos atrás, o Brasil não possuía normas específicas para o setor. A autorização da Anvisa para o uso medicinal de produtos à base de cannabis, em 2019, foi considerada um marco para a indústria e para os pacientes. Desde então, o número de prescrições e importações cresceu de forma consistente.
Entre os avanços recentes, os debatedores destacaram a decisão do Superior Tribunal de Justiça, em novembro de 2024, que autorizou o cultivo industrial do cânhamo para fins medicinais. A medida abre caminho para a produção nacional de insumos, com potencial de redução de custos e maior autonomia do país. A Anvisa tem prazo até 30 de setembro para publicar uma resolução que detalhe os critérios de cultivo, controle e qualidade, etapa considerada decisiva para o futuro do setor.
A pesquisadora Júlia Petenon, da Embrapii, que acompanhou o painel, avaliou que o debate evidenciou a necessidade de integrar ciência, regulação e mercado. Para ela, apesar das dúvidas ainda existentes, o crescimento da cannabis medicinal no Brasil demonstra espaço para pesquisa, inovação e desenvolvimento industrial.
Com um mercado em rápida expansão e estimativas bilionárias no horizonte, a cannabis medicinal se consolida como um dos temas mais relevantes da agenda regulatória e industrial do país. A definição de regras claras e o estímulo à produção nacional aparecem como passos fundamentais para transformar o crescimento em um setor estruturado, acessível e sustentável.
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