Saúde • 13:06h • 08 de novembro de 2025
Meningite bacteriana volta a preocupar e reforça importância da vacinação no Brasil
Surtos recentes e baixa cobertura vacinal reacenderam o alerta para a meningite bacteriana no país, que já registrou mais de 9 mil casos e 1,1 mil mortes em 2024
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: Comunicação Butantan
Os casos de meningite bacteriana voltaram a chamar atenção no Brasil após surtos em Pelotas (RS) e mortes de crianças em São Paulo. Até 17 de outubro, o país contabilizou 9.311 casos confirmados de meningite, sendo 4.045 bacteriana e 3.150 viral, além de 1.121 mortes, a maioria causada pela forma bacteriana, segundo o Ministério da Saúde.
Apesar de grave e com alta letalidade, a meningite não é tão transmissível: em média, uma pessoa infectada passa a doença para apenas outra. A forma bacteriana é causada pela Neisseria meningitidis, que possui 12 sorogrupos. Para cinco deles (A, B, C, W e Y) há vacinas disponíveis, o que torna essencial manter a cobertura vacinal alta.
Um ponto-chave na prevenção é a vacinação de adolescentes com a meningocócica ACWY, que protege contra quatro sorogrupos, e com a vacina contra o meningococo B. Isso porque até 20% dos jovens de 11 a 19 anos podem carregar a bactéria na garganta sem apresentar sintomas, funcionando como transmissores silenciosos, explica o infectologista do Butantan, Érique Miranda.
Ao reduzir essa colonização, a vacina ACWY ainda gera imunidade coletiva, diminuindo a circulação da bactéria e protegendo especialmente bebês e pessoas com imunidade reduzida.
Hoje, a cobertura da meningocócica C é de cerca de 85% entre crianças de até 1 ano, enquanto a ACWY alcançou apenas 55,64% em 2023 — ambas abaixo das metas necessárias para evitar surtos.
O Ministério da Saúde lançou as Diretrizes para Enfrentamento das Meningites até 2030, alinhadas ao programa da Organização Mundial da Saúde, com meta de vacinar 80% dos adolescentes de até 15 anos.
Surtos costumam ocorrer entre o fim do inverno e início da primavera, especialmente envolvendo o sorogrupo C. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e exige contato próximo e prolongado. Ambientes fechados, como escolas e creches, são mais propícios à disseminação.
A meningite bacteriana é mais grave que a viral. Seus principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, rigidez de nuca, mal-estar, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês, pode causar irritação, moleira estufada e letargia. A forma mais grave é a meningococcemia, que evolui rapidamente e causa febre alta, manchas na pele e diarreia.
O tratamento exige antibióticos imediatos e, muitas vezes, corticoides. Já as meningites virais tendem a ser mais leves e se resolvem espontaneamente, embora também exijam diagnóstico.
Segundo a OMS, no mundo há 1,6 milhão de casos anuais de meningite bacteriana, com 240 mil mortes em crianças menores de 5 anos. A prevenção, reforça Érique Miranda, está na vacinação — a melhor forma de bloquear a circulação da bactéria e evitar surtos.
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