Saúde • 13:32h • 04 de janeiro de 2026
Medicamentos vencidos e mal armazenados podem colocar sua saúde em risco
Deixar de seguir as instruções contidas na bula e nas embalagens pode trazer riscos à saúde e prejudicar a eficácia do produto
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
A busca por saúde e bem-estar tem levado cada vez mais pessoas a usar medicamentos, mas é importante lembrar que existe um trabalho científico rigoroso para definir as condições ideais de conservação desses produtos e avaliar os riscos de consumi-los após o vencimento. O farmacêutico toxicologista Antônio Anax Falcão, integrante do Grupo de Trabalho sobre Toxicologia do Conselho Federal de Farmácia (CFF), explica que esse é um tema frequente nas discussões da área, pois há grande preocupação sobre como a sociedade lida com essas questões no dia a dia.
Segundo o especialista, todo processo de síntese química pode deixar resquícios de substâncias que não reagiram, chamadas de impurezas. O controle dessas impurezas é alvo de forte fiscalização regulatória, o que aumenta as exigências sanitárias para garantir a qualidade e a segurança dos medicamentos.
Essas impurezas podem ou não representar riscos à saúde, e sua avaliação faz parte do conjunto de evidências que as empresas precisam apresentar ao órgão regulador ao solicitar o registro de um medicamento. Existem padrões internacionais para esse controle, e a Anvisa adota essas diretrizes no Brasil.
O prazo de validade e as condições de armazenamento são determinados com base em testes específicos que garantem que o medicamento permaneça seguro e eficaz pelo período indicado. A indústria realiza testes rigorosos, submetendo os produtos a calor, umidade, luz intensa e outras condições extremas para avaliar sua estabilidade e entender como ele se degrada ao longo do tempo.
O objetivo é identificar substâncias que podem surgir com a degradação e definir limites seguros de impurezas. Por isso, quando um medicamento tem validade de 18 meses ou de dois anos, esse período é baseado em estudos sólidos. Após esse prazo, não é possível garantir segurança e eficácia sem novas análises.
A má conservação ou o uso de medicamentos vencidos pode gerar problemas sérios. Embora indústria, distribuidoras e farmácias sigam protocolos rígidos de armazenamento, a maior preocupação dos toxicologistas é com o que acontece quando o medicamento chega à casa do paciente.
Fora das condições ideais, reações químicas indesejadas podem se acelerar. Isso pode levar à perda de eficácia — quando a quantidade do princípio ativo diminui — e também à formação de substâncias desconhecidas e potencialmente prejudiciais.
Entre os erros mais comuns está guardar medicamentos em locais inadequados, como o armário do banheiro ou o da cozinha, próximo ao fogão. Ambientes quentes e úmidos favorecem reações químicas. Não é recomendável deixar medicamentos no carro ou em locais sujeitos a calor extremo.
Outro hábito que exige cuidado é retirar os comprimidos da embalagem original, como os blísteres, para colocá-los em porta-medicamentos semanais. Embora ajude na organização, isso pode comprometer a estabilidade do produto, principalmente no caso de medicamentos sensíveis à luz.
O farmacêutico também destaca a importância da cadeia de custódia, que vai da fabricação ao armazenamento nas farmácias. Ele lembra que isso está relacionado à discussão sobre vender medicamentos em supermercados, pois a farmácia oferece condições controladas de temperatura, umidade e iluminação, além da orientação profissional.
Diante de tudo isso, a conscientização é essencial. As orientações das bulas precisam ser seguidas, especialmente sobre armazenamento e temperatura adequada. Mesmo antes do vencimento, é importante observar a aparência do medicamento e, se houver qualquer alteração, comunicar a empresa fabricante, pois pode indicar falha no lote.
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