Educação • 09:30h • 15 de fevereiro de 2026
MEC revoga edital que previa 5.900 novas vagas de Medicina após resultado do Enamed
Decisão ocorre após Enamed apontar desempenho insatisfatório em 107 cursos avaliados no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Vodox Assessoria | Foto: Divulgação
O Ministério da Educação revogou, na terça-feira, 10 de fevereiro, o Edital nº 1/2023, que previa a criação de até 5.900 novas vagas em cursos de Medicina em instituições privadas de ensino superior. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União após a divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, Enamed, que identificou desempenho insatisfatório em 107 cursos, o equivalente a 30,7% do total avaliado.
O edital fazia parte da política de retomada do Programa Mais Médicos e havia sido adiado quatro vezes desde a publicação. Segundo o MEC, o cenário regulatório e educacional sofreu alterações relevantes, como ampliação de vagas por decisões judiciais e expansão de cursos nos sistemas estaduais e distrital, modificando o contexto inicialmente previsto.
A pasta também citou como fundamentos para a revogação a implementação do Enamed, a atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais e o debate sobre a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, o Profimed.
De acordo com dados divulgados pelo MEC, os 107 cursos considerados insatisfatórios ficaram abaixo do patamar mínimo de proficiência estabelecido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Inep. As instituições poderão ser submetidas a medidas regulatórias, como restrições ao Fies e suspensão de vagas, mediante processo administrativo com garantia de ampla defesa.
Em nota, o Conselho Federal de Medicina afirmou que o cancelamento do edital evidencia problema estrutural relacionado à expansão de vagas sem garantia correspondente de qualidade na formação. A entidade defende o fortalecimento de mecanismos permanentes de avaliação ao longo do curso e a implementação de exame nacional de proficiência para egressos.
Para Raul Canal, advogado especialista em direito médico e presidente da Anadem, Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética, a decisão representa medida de proteção à qualidade da formação médica. Ele afirma que a expansão desordenada compromete a formação técnica, a segurança assistencial e impacta os estudantes que esperam um mercado estruturado.
Segundo Canal, a ampliação de vagas deve estar condicionada à existência de estrutura hospitalar adequada, corpo docente qualificado e avaliação permanente de desempenho. Ele sustenta que a atuação regulatória do Estado é essencial para preservar o interesse público e os padrões de ensino.
A revogação do edital não altera autorizações já concedidas nem interrompe a tramitação de processos administrativos e judiciais em curso relacionados à abertura ou ampliação de cursos. O MEC informou que novos editais poderão ser analisados futuramente, após reavaliação técnica e alinhamento ao marco legal vigente.
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