Responsabilidade Social • 14:54h • 09 de abril de 2026
Maternidade atípica expõe barreiras no trabalho e pressiona empresas por mudanças estruturais
Pesquisa revela sobrecarga de mães de crianças com autismo e falta de políticas corporativas amplia desigualdades no mercado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Temma | Foto: Arquivo/Âncora1
A maternidade atípica, especialmente de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem evidenciado desafios profundos no ambiente profissional brasileiro. No contexto do Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, dados reforçam a sobrecarga enfrentada por essas mulheres e a ausência de políticas estruturadas nas empresas.
Segundo o estudo “Cuidando de quem cuida”, da Genial Care, 86% dos cuidadores de crianças com autismo são mães. Além disso, 68% afirmam não ter tempo para si mesmas e 47% relatam sentir culpa pela condição dos filhos, evidenciando impactos emocionais significativos.
Rotina intensa impacta carreira e qualidade de vida
No Brasil, cerca de 2,4 milhões de pessoas estão no espectro autista, de acordo com o IBGE. Por trás desse número, famílias enfrentam uma rotina marcada por terapias, consultas médicas e acompanhamento contínuo, o que exige organização, tempo e recursos financeiros.
Esse cenário se reflete diretamente no ambiente de trabalho. Levantamento da VR, com base em 33 mil empresas, aponta que 70% dos atestados para acompanhamento de familiares em consultas são apresentados por mulheres, reforçando a concentração do cuidado.
A consequência é uma sobrecarga que afeta a permanência e o desenvolvimento profissional dessas mães.
Falta de políticas amplia desigualdades no mercado
Especialistas apontam que a ausência de suporte institucional contribui para o aumento de afastamentos, exaustão emocional e até saída definitiva do mercado de trabalho. A chamada tripla jornada, que combina cuidado especializado, responsabilidades domésticas e carreira, impacta diretamente a saúde física e mental dessas mulheres.
Além disso, a desigualdade de gênero permanece como fator estrutural, já que a maior parte das responsabilidades segue concentrada nas mães, limitando avanços em equidade no ambiente corporativo.
Flexibilidade e apoio são apontados como caminhos
A adoção de políticas mais flexíveis, como jornadas adaptáveis e autonomia de horários, aparece como uma das principais estratégias para equilibrar demandas pessoais e profissionais.
Medidas como apoio psicológico, benefícios específicos, ampliação da cobertura de saúde e cultura organizacional mais empática também são apontadas como fundamentais para reduzir a sobrecarga.
Empresas que investem em inclusão tendem a melhorar retenção de talentos, engajamento e reputação institucional.
Os principais desafios da maternidade atípica no trabalho
Entre as principais barreiras enfrentadas por mães atípicas no ambiente profissional, destacam-se:
- Conciliação de múltiplas jornadas com pouca flexibilidade;
- Sobrecarga emocional e falta de suporte psicológico;
- Culpa materna associada à pressão social e profissional;
- Dificuldade de progressão de carreira;
- Ausência de políticas corporativas específicas;
- Gestão pouco preparada para lidar com realidades diversas;
- Rigidez de horários incompatível com a rotina de cuidados;
- Desigualdade na divisão do cuidado familiar;
- Impacto financeiro elevado com terapias e tratamentos;
- Baixa visibilidade do tema nas políticas de diversidade.
Cultura organizacional precisa evoluir
A avaliação é que reconhecer a maternidade atípica como parte das políticas de diversidade é um passo essencial para promover mudanças efetivas. Mais do que inclusão, trata-se de estruturar ambientes de trabalho que considerem diferentes realidades e garantam condições mais equilibradas para todos os profissionais.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas
Ciência e Tecnologia
Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento
Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar
Ciência e Tecnologia
3I/ATLAS surpreende e se aproxima da esfera de Hill de Júpiter com precisão inédita