Responsabilidade Social • 18:54h • 13 de agosto de 2026
Manual inédito orienta jornalistas sobre como comunicar temas relacionados aos povos indígenas
Poranga Marandúa foi construído com participação de mais de 40 povos indígenas e reúne termos, princípios e orientações para profissionais da comunicação; publicação está disponível gratuitamente
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Jornalistas brasileiros passam a contar com um novo instrumento para abordar povos indígenas de maneira mais adequada e a partir da perspectiva das próprias comunidades. O manual de jornalismo indígena Poranga Marandúa foi lançado nesta segunda-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília, após um ano e meio de desenvolvimento.
Considerada inédita, a publicação reúne termos, orientações e princípios destinados ao trabalho jornalístico e foi construída pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor) com a participação de representantes de mais de 40 povos indígenas.
O próprio nome escolhido para o manual carrega parte dessa proposta. Poranga Marandúa significa “boa notícia” em Nheengatu, língua da família Tupi-Guarani.
Mais de 40 povos participaram da construção
A coordenadora geral da Abrinjor, Luciene Kaxinawá, destaca que a diversidade presente no documento é resultado da participação de diferentes povos durante sua elaboração. Segundo ela, o manual reafirma o compromisso com uma comunicação construída a partir dos territórios, das línguas e das próprias formas indígenas de contar histórias.
A primeira edição foi editada e revisada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e está disponível gratuitamente pela internet.
A proposta é fazer com que o conteúdo não fique restrito aos profissionais indígenas. O material foi desenvolvido para servir como referência a jornalistas e comunicadores de todo o país, oferecendo elementos para escolhas de linguagem, enquadramento e tratamento dos assuntos relacionados aos povos indígenas.
Manual também pode chegar às universidades
Além das redações, os responsáveis pela iniciativa defendem a utilização do Poranga Marandúa na formação de novos jornalistas.
A jornalista indígena e comunicadora do Inka Sônia Kaingáng aponta a educação como uma das dimensões centrais da iniciativa. A pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré também defende que o documento seja incorporado a currículos e ementas dos cursos de Jornalismo.
Para Andreza, a formação profissional ainda pode reproduzir abordagens que invisibilizam os povos indígenas. Nesse sentido, o novo manual é apresentado como uma ferramenta pedagógica para discutir a maneira como indígenas e outros povos e comunidades tradicionais são representados pela imprensa.
Quem conta a história também importa
Outro ponto levantado durante o lançamento envolve a presença de profissionais indígenas nos próprios espaços de comunicação.
Samela Sateré Mawé, assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), avalia que a publicação também pode estimular mais jornalistas indígenas a ocuparem redações, canais de comunicação e estruturas de comunicação das entidades representativas.
“Esse manual é uma porta que vai se abrir para dentro do movimento indígena que vai se abrir para os jornalistas indígenas ocupando esses espaços, porque ninguém melhor que a gente para falar sobre a gente”, afirmou.
A publicação chega, portanto, com uma proposta que ultrapassa a discussão sobre quais palavras utilizar em uma reportagem. Ao reunir perspectivas produzidas pelos próprios povos indígenas, o Poranga Marandúa busca oferecer aos jornalistas uma referência para compreender contextos, evitar invisibilizações e ampliar a participação das fontes e dos profissionais indígenas na construção das narrativas jornalísticas.
Manual pode ser acessado gratuitamente
A primeira edição do Poranga Marandúa está disponível gratuitamente em formato digital. O material pode ser acessado neste link.
A expectativa dos responsáveis é que a publicação seja utilizada tanto no cotidiano das redações quanto na formação acadêmica, aproximando profissionais de comunicação das perspectivas e dos modos de narrar defendidos pelos próprios povos indígenas.
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