Mundo • 17:11h • 01 de novembro de 2026
Mais de 14 mil ataques digitais a jornalistas e Meta se recusa a criar canal de proteção
Dona do Facebook, Instagram e WhatsApp recusou pedido do Ministério da Justiça para criar canal de denúncias urgentes; governo alerta para riscos à liberdade de imprensa e ao direito à informação
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, recusou um pedido do governo federal para criar um canal exclusivo de atendimento a jornalistas, comunicadores e veículos de imprensa vítimas de ameaças, assédio, ataques digitais e restrições de contas. A solicitação foi apresentada pelo Observatório da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, diante de relatos recorrentes de bloqueios e suspensões nas plataformas. A negativa ocorre em um cenário de 14.182 ataques digitais registrados contra profissionais e empresas de comunicação só durante o primeiro turno das eleições de 2026.
O mecanismo solicitado permitiria encaminhar e acompanhar denúncias urgentes, especialmente em situações que comprometem o trabalho jornalístico. Segundo o observatório, a Meta justificou a recusa alegando complexidade técnica, jurídica e operacional, além da possibilidade de assumir novas obrigações regulatórias.
A empresa também argumentou que suas políticas são aplicadas igualmente a todos os usuários e que os canais gerais de atendimento já disponíveis seriam suficientes. Procurada pela Agência Brasil, a Meta informou que não comentaria o assunto.
Ataques a jornalistas e bloqueios de contas preocupam autoridades
Dados da Coalizão em Defesa do Jornalismo apontam 14.182 ataques digitais contra jornalistas e veículos de comunicação durante o primeiro turno eleitoral. Paralelamente, a organização CTRL+Z reuniu 1.121 relatos de restrições a contas e conteúdos políticos, incluindo bloqueios e remoções sem justificativa específica.
Os levantamentos tratam de situações distintas e não estabelecem que todos os ataques ocorreram nas plataformas da Meta. Ainda assim, foram utilizados pelo Ministério da Justiça para fundamentar a necessidade de mecanismos específicos de proteção aos profissionais da comunicação.
Em manifestação conjunta, as secretarias de Justiça, de Direitos Digitais e de Políticas Digitais alertaram para duas ameaças ao debate público: o crescimento da violência contra quem produz informação e a falta de transparência nas decisões que restringem a circulação de conteúdos.
Governo afirma que canais comuns não garantem proteção à imprensa
O Ministério da Justiça defende a criação de um mecanismo permanente, capaz de atender denúncias urgentes inclusive fora dos períodos eleitorais. Para a pasta, os canais gerais das plataformas e a cooperação com a Justiça Eleitoral não substituem um atendimento específico para situações de violência contra jornalistas.
A preocupação também envolve decisões de bloqueio, suspensão e remoção de conteúdos que podem afetar o funcionamento de veículos de comunicação. O governo sustenta que essas situações ultrapassam os interesses individuais dos profissionais e podem comprometer o acesso da população à informação.
Até o momento relatado pela Agência Brasil, a Meta manteve a negativa à criação do canal solicitado, sem apresentar manifestação pública adicional sobre as preocupações levantadas pelo observatório.
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