Economia • 18:39h • 21 de agosto de 2026
Mais da metade dos trabalhadores chega ao fim do mês sem dinheiro suficiente
Levantamento da Serasa Experian mostra que 53% não conseguem terminar o mês com recursos suficientes para todas as despesas; alimentação e contas da casa estão entre os principais pesos no orçamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Arquivo/Âncora1
Mais da metade dos trabalhadores brasileiros continua enfrentando dificuldades para fazer o salário chegar até o fim do mês. Segundo a nova edição da Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores, da Serasa Experian, 53% chegam ao fim do mês sem dinheiro suficiente para pagar todas as despesas. O cenário praticamente não mudou em relação a 2025, quando o índice era de 54%.
Entre os entrevistados, 47% precisam recorrer a recursos ou alternativas adicionais para conseguir fechar as contas. Outros 6% terminam o mês sem dinheiro suficiente e não utilizam nenhuma opção extra. Apenas 47% afirmam conseguir encerrar o período ainda com recursos disponíveis.
Alimentação e contas da casa aparecem entre os gastos que mais comprometem a renda dos trabalhadores. Para Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian, a estabilidade do indicador de um ano para outro mostra que a dificuldade financeira permanece presente na rotina de uma parcela expressiva dos brasileiros.
“Quando mais da metade chega ao fim do mês sem recursos suficientes para cobrir todas as despesas e esse cenário praticamente não se altera de um ano para o outro, vemos uma pressão persistente sobre a saúde financeira”, afirma.
Aperto no orçamento chega ao trabalho
As consequências não ficam restritas às contas. Entre os entrevistados que enfrentaram problemas financeiros nos últimos cinco anos ou ainda convivem com eles, 44% relatam irritabilidade e 44% apontam insônia. Também foram mencionadas alterações acentuadas de peso, depressão, dores físicas e isolamento social.
No trabalho, 51% relatam estresse associado aos problemas financeiros, enquanto 46% mencionam exaustão extrema e esgotamento físico. A dificuldade também alcança diretamente o desempenho profissional: 35% dizem perceber diminuição da atenção e 33% relatam queda de produtividade.

Segundo Lage, esses reflexos ganham relevância também diante da nova redação da NR-1, que passou a considerar expressamente fatores psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. O executivo ressalta, porém, que isso não significa incluir a vida financeira individual do trabalhador no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), mas observar os efeitos que determinadas dificuldades podem produzir durante o expediente.
Para a Serasa Experian, medidas como educação financeira e benefícios voltados ao bem-estar financeiro podem ajudar empresas a lidar com situações que acabam repercutindo na rotina profissional.
A Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores ouviu profissionais de empresas públicas e privadas que trabalham tanto em regime CLT quanto como Pessoa Jurídica (PJ)
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