Mundo • 12:09h • 11 de janeiro de 2026
Mais brincadeira, menos tela: confira dicas para uma infância saudável
Sono, boa alimentação e brincar ao ar livre são fundamentais
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Se o mundo mudou com a internet, as redes sociais e a popularização dos dispositivos móveis, a infância também se transformou. Em uma era hiperconectada, o contato com a natureza, as brincadeiras ao ar livre e o tempo longe das telas já começam a ser recomendados como parte de orientações médicas.
Com 29 anos de atuação em consultório, Renata Aniceto, membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), afirma que passou a incluir em suas recomendações — além de alimentação saudável e vacinação — o tempo de convivência entre pais e filhos.
“Quero que no fim de semana vocês tenham duas horas de brincadeiras no parque, de vivências em casa, que levem as crianças para cozinhar ou jogar jogos de tabuleiro. É um retrocesso. Essa geração de pais não sabe brincar com os filhos porque já vem de uma fase conectada às telas”, explica
Segundo ela, o comportamento das famílias mudou muito com a entrada das telas, dos celulares e tablets no cotidiano.
“Houve uma desconexão entre pais e filhos. Não só as crianças estão mais tempo nas telas; os pais também. No consultório, começaram a surgir muito mais casos de ansiedade e depressão, quadros que nem estudávamos na nossa formação e que hoje fazem parte da rotina. É um momento muito conectado e desconectado ao mesmo tempo, com essa desconexão humana”, afirma Renata.
A professora Angela Uchoa Branco, do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da Universidade de Brasília (UnB), reforça a importância das brincadeiras presenciais, do contato direto com outras crianças e adultos. Para os mais velhos, recomenda inclusive os jogos de tabuleiro.
“Jogos e brincadeiras livres são fundamentais para o desenvolvimento da criança. Contação de histórias, leitura antes de dormir, deixar livros infantis disponíveis para estimular a criatividade e o gosto pela leitura. E, sempre que possível, levar a criança para brincar ao ar livre e conviver com a natureza”, destaca.
Ouvimos médicos, psicólogos e especialistas que reuniram algumas orientações para uma infância mais saudável.
Mais brincadeira, menos tela
A infância que antes era marcada por brincadeiras de rua e tempo livre hoje se mistura a telas, notificações e interações online. Renata alerta que, além de prejudicar o convívio social, o excesso de telas pode afetar o desenvolvimento do cérebro e da cognição.
“O excesso de telas estimula áreas que não são primordiais e pode levar à perda de habilidades como foco, atenção, memória e resolução de problemas. São gerações que têm encontrado mais dificuldades de comunicação e aprendizagem. Além disso, se eu movimento menos o corpo, aumenta a chance de obesidade”, explica.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou, no ano passado, as recomendações de tempo de telas:
- 0 a 2 anos: nenhuma tela, nem passivamente
- 2 a 5 anos: até 1 hora por dia, com supervisão
- 6 a 10 anos: de 1 a 2 horas por dia, também supervisionadas
- 11 a 18 anos: de 2 a 3 horas por dia, sem virar a madrugada
Lia Jamra, diretora executiva da ONG Vaga Lume, que atua há 25 anos com educação na Amazônia Legal, reforça a importância da leitura.
“Pais e cuidadores precisam incentivar a leitura para ajudar a criança a sair das telas. A leitura amplia o repertório, a visão de mundo e a capacidade de sonhar. Na Amazônia, a infância é mais saudável; várias brincadeiras ao ar livre fazem parte do dia a dia, como mergulhar no rio”, diz.
Sono
O sono é essencial para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Renata explica que as telas podem prejudicar diretamente a qualidade do descanso.
“Usar telas à noite mantém a luz no cérebro por mais tempo e reduz a produção de melatonina, o hormônio que inicia o sono. A criança passa a ter mais dificuldade para dormir e despertares noturnos”, afirma.
Ela lembra que o sono é um período ativo do ponto de vista neurológico.
“É quando fixamos o aprendizado e quando vários hormônios são produzidos, como o hormônio do crescimento e os que regulam fome e saciedade, impactando o apetite e o ganho de peso.”
Diálogo
Angela Uchoa destaca a importância de conversas respeitosas, que estabeleçam limites sem punições físicas.
“É preciso escolher o momento certo para conversar e estabelecer limites. Devemos ter tolerância zero com agressões, mas manter uma postura respeitosa. Afeto é essencial para que a criança se sinta amada. E elogiar o que ela faz bem fortalece sua autoestima”, afirma.
Alimentação
Aos 6 meses, quando surgem os primeiros dentes, começa a introdução alimentar — etapa fundamental para formar hábitos que acompanharão a criança por toda a vida, explica Diana Barbosa Cunha, professora do Instituto de Medicina Social da Uerj.
Ela lembra que hábitos ruins adotados na infância podem persistir e se tornar fatores de risco para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas cardíacos.
“Essa fase deve ser tranquila. O objetivo da introdução alimentar é que o bebê conheça os alimentos. O leite materno continua sendo o mais importante. A recomendação é iniciar aos 6 meses e esperar que, aos 2 anos, a criança já esteja plenamente adaptada à alimentação da família.”
Diana ressalta que o exemplo da família é determinante: refeições com alimentos minimamente processados — cereais, frutas, legumes, carnes — devem ser prioridade.
“É importante reduzir ultraprocessados e estimular a autonomia da criança, oferecendo opções saudáveis e envolvendo-a na escolha e no preparo dos alimentos. Levá-la à feira e deixá-la participar do processo melhora a relação com a comida”, conclui.
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