Gastronomia & Turismo • 17:13h • 09 de setembro de 2026
Maior trilha aquática do Brasil percorre 400 km entre rios, parques e histórias do Rio Paraná
Rota dos Pioneiros atravessa 18 municípios de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná e combina remo, caminhada e bicicleta em uma expedição que pode durar até 27 dias
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MTur | Foto: Divulgação/RedeTrilhas
Uma jornada de aproximadamente 400 quilômetros pelo Rio Paraná e seus arredores reúne navegação, caminhada, mountain bike, áreas protegidas e episódios que atravessam séculos da história brasileira. Considerada a maior trilha aquática do país, a Rota dos Pioneiros passa por 18 municípios de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná e pode exigir de 16 a 27 dias para quem pretende completar todo o percurso.
Integrante do circuito dos Caminhos do Peabiru, a rota possui traçado que varia entre 388,8 km e 407 km e conecta o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), ao Lago de Itaipu, no Paraná. O viajante pode fazer a expedição completa ou escolher apenas determinados setores, utilizando os diferentes acessos existentes ao longo do caminho.
A experiência acontece em uma região marcada pela presença de povos indígenas, missões jesuíticas, expedições bandeirantes, conflitos militares e diferentes ciclos de ocupação. Rios como Paraná, Paranapanema, Ivinhema e Piquiri aparecem tanto como corredores naturais quanto como parte dessa história.
Uma rota por três estados e sete áreas protegidas
O percurso está dividido em oito setores e atravessa Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha Paulista e Rosana, em São Paulo; Taquarussu, Jateí, Naviraí, Itaquiraí, Eldorado e Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul; e Terra Rica, Diamante do Norte, Marilena, São Pedro do Paraná, Querência do Norte, Icaraíma, Altônia, Guaíra e Mercedes, no Paraná.
No caminho estão sete Unidades de Conservação, entre elas o Parque Estadual do Morro do Diabo, a Estação Ecológica do Caiuá, o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e o Parque Nacional de Ilha Grande.
Além do remo, da caminhada e do ciclismo, o roteiro permite atividades como observação de aves e outros animais, visitas a mirantes, cachoeiras, grutas, museus e cidades históricas, além de experiências ligadas ao turismo rural.
Expedição atravessa até o Trópico de Capricórnio
Entre as particularidades do trajeto está a travessia do Trópico de Capricórnio durante a navegação. Outro ponto de destaque é o Morro do Diabo, que chega a cerca de 600 metros acima do nível do mar e se sobressai na paisagem do Pontal do Paranapanema.
Em Porto São José, no município paranaense de São Pedro do Paraná, está o chamado “fundão”, uma fenda subaquática que alcança até 18 metros de profundidade. Na região e nas proximidades de Porto Rico, equipes de mergulho já encontraram restos de embarcações, fuzis e grilhões relacionados à Revolução de 1924.
A rota também recupera acontecimentos muito anteriores. No século 17, a região do Guairá chegou a reunir 18 missões jesuíticas e cerca de 200 mil indígenas. Em 1631, diante dos ataques de bandeirantes paulistas, aproximadamente 12 mil indígenas teriam participado do chamado Êxodo Guairenho, em uma jornada com cerca de 700 embarcações pelos rios Paranapanema e Paraná.
Percurso exige preparação para navegação
A Rota dos Pioneiros possui portos e pontos de apoio para abastecimento, alimentação e acampamento em diferentes trechos. Entre eles estão o Balneário Municipal de Rosana, em São Paulo, Porto Maringá e Porto São José, no Paraná, Porto Caiuá, em Mato Grosso do Sul, e o Centro Náutico Marinas, em Guaíra.
Para os trechos aquáticos, a orientação é não navegar sozinho e, preferencialmente, contar com guias experientes ou expedições organizadas. Também é necessário acompanhar as condições meteorológicas e evitar a navegação durante tempestades ou períodos de baixa visibilidade.
Entre os equipamentos indicados estão colete salva-vidas, apito de emergência, remo reserva, GPS com mapa salvo, carta náutica, kit de primeiros socorros, proteção solar e material adequado para acampamento. Antes da viagem, também é necessário consultar as regras das Unidades de Conservação para saber quais locais permitem visitação e pernoite.
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