Gastronomia & Turismo • 12:21h • 28 de outubro de 2026
Maçã crua ou cozida? Entenda o que muda nos nutrientes e nos benefícios para o intestino
Rica em fibras, especialmente pectina, a fruta pode contribuir para a saúde intestinal, mas o cozimento altera parte de seus nutrientes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Midiaria | Foto: Arquivo/Âncora1
A maçã cozida pode ser uma aliada da saúde intestinal, principalmente por conter pectina, uma fibra solúvel que contribui para o funcionamento do sistema digestivo. Além de apresentar textura mais macia, facilitando a mastigação, a fruta mantém parte importante de seus nutrientes após o aquecimento. Segundo o nutricionista Diego Righi, professor da Afya Centro Universitário Itaperuna, os benefícios dependem da forma de preparo, da alimentação e das características individuais de cada pessoa.
A pectina, presente na polpa e na casca da maçã, interage com a água durante a digestão e contribui para a formação das fezes. Parte dessa fibra também é fermentada pelas bactérias da microbiota intestinal, produzindo substâncias que participam de processos importantes para a saúde do intestino.
“A maçã é uma fonte de fibras, especialmente de pectina, que pode contribuir para o funcionamento intestinal. Essa fibra interage com a água no trato digestivo e também pode ser fermentada por bactérias da microbiota intestinal. O importante é entender que seus benefícios dependem do conjunto da alimentação e dos hábitos de vida, e não do consumo isolado de um único alimento”, explica Righi.
O que muda quando a maçã é cozida?
O cozimento modifica a estrutura da fruta, deixando a polpa mais macia e facilitando o consumo por pessoas com dificuldades de mastigação. Entretanto, o aquecimento também pode provocar perdas nutricionais, especialmente de vitamina C, que é sensível às altas temperaturas.
As fibras, por outro lado, não desaparecem durante o preparo. Um estudo publicado em 2023 no periódico International Journal of Food Science & Technology identificou, nas condições analisadas, a manutenção de quantidades semelhantes de fibras totais e solúveis, além da preservação de mais de 80% dos compostos fenólicos presentes originalmente na polpa.
Embora possa contribuir para o funcionamento intestinal, a maçã cozida não deve ser considerada um tratamento para prisão de ventre, diarreia ou outros problemas digestivos. Uma revisão científica publicada em 2026, que analisou 38 estudos envolvendo maçãs e derivados, encontrou resultados favoráveis em alguns indicadores de saúde, mas apontou evidências ainda insuficientes para conclusões definitivas, especialmente sobre os efeitos específicos da fruta cozida.
Outro cuidado envolve pessoas com sensibilidade à frutose e ao sorbitol, carboidratos naturalmente presentes na maçã que podem provocar gases, distensão abdominal e desconforto, principalmente em indivíduos com síndrome do intestino irritável.
Como preparar maçã cozida sem perder tantos nutrientes
O preparo é simples e pode ser incorporado ao café da manhã, aos lanches ou às sobremesas. Para preservar melhor as características nutricionais, algumas medidas são recomendadas:
- Higienizar a maçã e cortá-la em pedaços antes do cozimento;
- Utilizar pouca água e evitar o aquecimento prolongado;
- Manter a casca, quando possível e bem tolerada, para aproveitar suas fibras;
- Acrescentar canela para dar sabor, sem necessidade de adicionar açúcar;
- Evitar excesso de leite condensado, açúcar ou outros ingredientes que aumentem significativamente o valor calórico.
A maçã cozida pode integrar uma alimentação equilibrada, assim como a fruta consumida crua. Para favorecer a saúde intestinal, o nutricionista reforça a importância de combinar diferentes fontes de fibras, manter uma hidratação adequada e praticar atividades físicas regularmente.
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