Mundo • 15:03h • 22 de novembro de 2025
Jovens se sentem desconectados das empresas e comunicação interna se torna fator crítico
Estudo internacional aponta falhas de transparência e alinhamento; especialistas defendem fortalecimento do senso de pertencimento e gestão de mensagens
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Hercog | Foto: Arquivo/Âncora1
A dificuldade das empresas em atrair e manter jovens talentos voltou ao centro do debate corporativo, impulsionada por dados que mostram que a má comunicação interna é um dos principais motivos de desligamento. Um estudo internacional realizado pela YouGov e Staffbase em 2025, com 3.574 funcionários de seis países, indica que 63% dos profissionais que pensam em deixar o emprego citam falhas de comunicação como parte da decisão.
Logo após o levantamento, ganha destaque o contexto brasileiro, marcado pela entrada crescente de estagiários, trainees e jovens aprendizes em programas estruturados de grandes empresas. Mesmo com salários competitivos, benefícios e políticas de diversidade, o setor de Recursos Humanos enfrenta a dificuldade de criar vínculos e transmitir propósito às novas gerações.
Pertencimento pesa tanto quanto salário
A especialista em RH da Companhia de Estágios, Ana Eliza, avalia que o problema começa quando a retenção de talentos é tratada como um objetivo isolado, sem conexão com cultura, valores e significado do trabalho. Segundo ela, os jovens tendem a se engajar quando compreendem a missão da empresa e enxergam coerência entre o discurso e a prática. Essa interpretação reforça achados do Employer Branding Brasil: 43% dos candidatos afirmam que aceitariam manter o salário atual para trabalhar em uma empresa com valores inspiradores.
Para a especialista, o pertencimento é um valor intangível, capaz de influenciar escolhas de carreira e reduzir a rotatividade. O employer branding, segundo a análise, depende menos de campanhas externas e mais de comunicação interna consistente, transparente e humana.
Quatro gerações no mesmo ambiente, expectativas distintas
Com a convivência simultânea de profissionais de diferentes idades, comunicar-se de forma clara nunca foi tão desafiador. A percepção apresentada por Ana Eliza é que as novas gerações demonstram maior necessidade de reconhecimento, oportunidades de crescimento e participação ativa nas decisões do dia a dia. Esses grupos costumam valorizar ambientes acolhedores e respostas rápidas, além de se conectarem mais facilmente com linguagens digitais — como imagens, memes e elementos visuais.
O desafio, destaca a análise, é manter equilíbrio entre informalidade e profissionalismo. A especialista reforça que comunicação eficaz não se limita a canais digitais: gestos cotidianos também compõem a experiência do colaborador. A observação é que um simples cumprimento, um café compartilhado ou a atenção constante da liderança exercem impacto direto na construção de confiança.
Ruídos que transformam boas notícias em problemas
Outra preocupação está ligada ao fluxo de informações. Segundo a interpretação de Ana Eliza, inconsistências entre o que é dito pelo RH, comunicado pela liderança direta e divulgado nos canais oficiais podem gerar insegurança e desgaste. Há casos citados em que aumentos salariais, promoções ou novas vagas perderam força por causa de mensagens desalinhadas, transformando boas notícias em motivo de frustração.
Para a especialista, a clareza é um elemento central da boa gestão interna. Ela destaca que o gestor direto costuma ser visto como fonte mais confiável que os canais institucionais, o que reforça a necessidade de alinhamento prévio antes de qualquer anúncio.
Pulses ajudam a medir clima e expectativas
Além da comunicação cotidiana, o uso de pesquisas curtas — os pulses — ganha relevância como ferramenta estratégica para avaliar percepções e ajustar práticas. Esses levantamentos permitem identificar dúvidas, angústias e expectativas dos colaboradores, fornecendo dados que orientam ajustes de tom e ações de engajamento.
Segundo a especialista, essa escuta ativa reforça a mensagem de que as opiniões dos jovens são levadas em consideração e podem gerar mudanças reais. A análise reforça que, assim como no marketing, o RH precisa conhecer profundamente seu público e acompanhar como a cultura organizacional é percebida.
Construção de relações, não retenção
Para Ana Eliza, o foco não deve estar apenas em reter, mas em construir um ambiente em que cada colaborador possa crescer, se desenvolver e traçar sua própria trajetória. A especialista observa que comunicação interna consistente se baseia em estratégia, coerência e troca genuína — não apenas em lembranças protocolares, como mensagens automáticas de aniversário.
A avaliação é que a boa comunicação cria condições para decisões maduras e transparentes, mostrando que a empresa não tenta forçar permanência, mas oferecer caminhos reais de evolução.
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