Educação • 16:48h • 09 de março de 2026
Jogo criado na USP usa aventura para ensinar educação financeira a estudantes
Desenvolvido em doutorado da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, o jogo pedagógico Krystalion utiliza narrativas de ficção e estratégias contábeis para preparar estudantes para os desafios econômicos da vida real
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
Uma tese defendida na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (USP) propõe uma forma diferente de ensinar educação financeira nas escolas. A pesquisadora Patrícia de Oliveira Garcia desenvolveu o Krystalion, um jogo de tabuleiro que transforma conceitos de contabilidade e gestão de recursos em uma experiência lúdica voltada a crianças e adolescentes.
A proposta surge em um momento oportuno, já que os temas de educação financeira e fiscal devem se tornar obrigatórios no Novo Ensino Médio a partir de 2027. A pesquisa se apoia em teorias clássicas da aprendizagem, como as de Jean Piaget e Lev Vygotsky, que defendem que o aprendizado de conceitos complexos ocorre de forma mais eficaz por meio da interação social e da prática.
No jogo, os participantes assumem o papel de sobreviventes em um planeta que depende da energia de cristais para manter o equilíbrio do ecossistema. Para vencer, os jogadores precisam administrar esses recursos com responsabilidade, tomando decisões sobre investimento, uso de energia e sustentabilidade. A dinâmica também aborda valores como cooperação, responsabilidade ambiental e tomada de decisões coletivas.
O objetivo do Krystalion é aproximar a lógica contábil do cotidiano dos jovens, retirando o tema do ambiente corporativo e mostrando como ele se relaciona com a vida prática. Em vez de apenas ensinar a poupar dinheiro, o jogo estimula reflexões sobre crescimento financeiro, planejamento e consequências das escolhas econômicas.
Nos testes realizados com estudantes, os resultados quantitativos não indicaram melhora imediata em habilidades matemáticas. No entanto, a avaliação qualitativa revelou grande aceitação entre os participantes: 98,5% dos alunos aprovaram a experiência. Segundo Patrícia, muitos estudantes relataram compreender melhor como funciona o fluxo do dinheiro e perceberam que apenas a renda do trabalho pode não ser suficiente para garantir crescimento financeiro ao longo do tempo.
A ideia do projeto surgiu a partir da constatação da pesquisadora sobre os altos índices de endividamento e inadimplência no país. Para ela, a falta de educação financeira não afeta apenas a gestão do dinheiro pessoal, mas também dificulta que as pessoas compreendam informações sobre juros, tributos e economia divulgadas na mídia.
Patrícia explica que, embora a contabilidade ofereça conceitos fundamentais para entender o funcionamento das finanças, esse conhecimento costuma ser direcionado quase exclusivamente ao universo empresarial. Com isso, muitos princípios que poderiam ajudar na gestão das finanças pessoais acabam pouco explorados fora do meio acadêmico e corporativo.
Ao escolher crianças e adolescentes como público-alvo, a pesquisadora percebeu que o ensino tradicional por meio de apostilas e livros teóricos não seria suficiente. Foi então que surgiu a ideia de utilizar um jogo de tabuleiro, capaz de unir narrativa, estratégia e tomada de decisões em um ambiente interativo.
Na história do jogo, os habitantes do planeta Caza precisam abandonar seu mundo após esgotarem os recursos naturais e encontram abrigo em Krystalion, um planeta sustentado por cristais de energia. Para sobreviver, os jogadores precisam extrair e administrar esses cristais sem repetir os erros do passado, mantendo o equilíbrio ambiental para garantir energia para todos.
Durante as partidas, os participantes enfrentam situações relacionadas à gestão de recursos, investimentos, empréstimos e escolhas entre gastar ou poupar. O jogo também aborda conceitos como juros, inflação, aposentadoria, busca por conhecimento e sustentabilidade.
A tese foi bem recebida pela banca avaliadora da USP e indicada por unanimidade ao prêmio de Tese Destaque, devido ao potencial de inovação e impacto social da proposta. Para a pesquisadora, a iniciativa pode funcionar como uma ferramenta preventiva em um país marcado por altos níveis de endividamento familiar.
Por enquanto, o Krystalion ainda não está disponível comercialmente. O protótipo foi desenvolvido com recursos próprios da pesquisadora, que agora busca parcerias com editoras, empresas do setor educacional e secretarias de educação para viabilizar a produção e distribuição do jogo, especialmente na rede pública de ensino. O objetivo é transformar o projeto acadêmico em uma ferramenta acessível que una rigor científico e aprendizagem por meio da diversão.
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