Economia • 11:19h • 14 de fevereiro de 2026
Ipea diz que mercado de trabalho pode absorver fim da escala 6x1
Impacto no custo atingiria menos de 1% em grandes setores
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam semelhantes aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo no Brasil, o que indica que o mercado de trabalho teria capacidade de absorver a medida.
A avaliação consta em estudo divulgado na terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou os efeitos econômicos da redução da jornada atualmente predominante de 44 horas semanais, geralmente associada à escala 6x1, com um dia de descanso a cada seis trabalhados.
Segundo o levantamento, a diminuição da jornada teria impacto inferior a 1% nos custos de grandes setores, como indústria e comércio. No entanto, segmentos de serviços mais intensivos em mão de obra podem demandar políticas públicas específicas para viabilizar a mudança. O Ipea cita como referência reajustes do salário mínimo de 12%, em 2001, e de 7,6%, em 2012, que não resultaram em queda no nível de emprego.
De acordo com o pesquisador Felipe Pateo, a adoção de uma jornada de 40 horas semanais elevaria em 7,84% o custo do trabalhador celetista, mas o impacto no custo total das empresas tende a ser menor. Isso porque, em grandes companhias do comércio e da indústria, os gastos com pessoal representam, em muitos casos, menos de 10% do custo operacional, que inclui despesas com estoques e investimentos em maquinário.
O estudo aponta que empresas de serviços voltados a edifícios, como vigilância e limpeza, podem enfrentar impacto maior, estimado em 6,5% no custo da operação. Nesses casos, o Ipea defende uma transição gradual para a nova jornada. O mesmo se aplica às pequenas empresas, que costumam ter mais dificuldade para reorganizar escalas de trabalho. Para esses segmentos, alternativas como a ampliação de contratos de meio período poderiam ajudar a manter o funcionamento, especialmente aos fins de semana.
O levantamento também destaca que jornadas de 44 horas semanais concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade. Para os pesquisadores, a redução da jornada pode contribuir para a diminuição das desigualdades, ao elevar o valor da hora trabalhada e aproximar as condições desses profissionais das observadas em empregos com melhores salários.
Os dados mostram que trabalhadores com jornada de até 40 horas semanais têm remuneração média de R$ 6,2 mil, enquanto aqueles que trabalham 44 horas recebem, em média, menos da metade desse valor. A pesquisa indica ainda que mais de 83% dos vínculos de pessoas com ensino médio completo ou menos estão submetidos a jornadas superiores a 40 horas, proporção que cai para 53% entre trabalhadores com ensino superior.
Em 2023, a maioria dos 44 milhões de trabalhadores celetistas registrados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) tinha jornada de 44 horas semanais. Ao todo, 31,8 milhões de pessoas, o equivalente a 74% dos vínculos com jornada informada, estavam nessa condição. Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos trabalhadores cumpriam jornadas acima de 40 horas.
O estudo também aponta desafios específicos para empresas de menor porte, que concentram proporcionalmente mais trabalhadores com jornadas estendidas. Enquanto a média nacional indica que 79,7% dos trabalhadores atuam por mais de 40 horas semanais, esse percentual sobe para 87,7% nas empresas com até quatro empregados e para 88,6% naquelas com cinco a nove funcionários.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou força no cenário político neste início de ano. Nesta terça-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a votação do tema é uma das prioridades da Casa em 2026, com possibilidade de análise a partir de maio. Atualmente, tramitam no Congresso duas propostas de emenda à Constituição sobre o assunto: a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes. O tema também foi incluído pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre as prioridades do governo para o semestre.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas
Ciência e Tecnologia
Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento
Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar
Ciência e Tecnologia
3I/ATLAS surpreende e se aproxima da esfera de Hill de Júpiter com precisão inédita