Responsabilidade Social • 09:16h • 17 de janeiro de 2026
Investir no clima e meio ambiente estáveis previne mortes, aponta ONU
Pnuma lançou hoje a sétima edição do Panorama Ambiental Global
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A sétima edição do Panorama Ambiental Global (GEO7), do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lançado em dezembro, em Nairóbi, na África, alerta que a falta de ação diante dos desafios climáticos e ambientais pode causar milhões de mortes e prejuízos financeiros de grande escala.
Principal avaliação científica periódica sobre a situação ambiental do planeta, o relatório também apresenta caminhos capazes de evitar mortes, reduzir a pobreza e gerar até US$ 20 trilhões por ano para a economia global até 2070.
Copresidente da avaliação do GEO7, o cientista Robert Watson destaca que o documento aponta a necessidade de mudanças profundas em cinco grandes sistemas e de um esforço coletivo e inclusivo para alterar a atual trajetória ambiental. Segundo ele, será necessária uma transformação sem precedentes, integrada, rápida e inovadora nos sistemas financeiro, econômico, energético, alimentar, de uso de materiais e ambiental, combinando mudanças de comportamento, avanços tecnológicos e novas formas de governança. “Esse não é um desafio apenas para ministros do Meio Ambiente, mas para todos os governos e para toda a sociedade”, afirma.
De acordo com o GEO7, a adoção das recomendações pode evitar cerca de 9 milhões de mortes prematuras associadas à poluição, retirar 200 milhões de pessoas da subnutrição e 150 milhões da pobreza extrema. Para isso, o relatório ressalta a necessidade de investimentos elevados.
O estudo estima que serão necessários cerca de US$ 8 trilhões por ano para que o mundo alcance a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050 e avance na restauração e conservação da biodiversidade. Para a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, o custo da inação é muito maior. Segundo ela, as mudanças climáticas podem reduzir em 4% o PIB global anual até 2050, além de provocar perdas de vidas e intensificar a migração forçada.
O relatório aponta que o aumento da temperatura e os eventos climáticos extremos já geraram um custo médio de US$ 143 bilhões por ano nas últimas duas décadas. Somam-se a isso as perdas econômicas relacionadas à saúde, como os impactos da poluição do ar, que apenas em 2019 chegaram a US$ 8,1 trilhões, e os danos causados pela exposição a substâncias químicas tóxicas presentes nos plásticos, estimados em US$ 1,5 trilhão por ano.
Diante desses custos sociais e econômicos, os cientistas afirmam que o caminho proposto pelo GEO7 deixou de ser uma opção e se tornou inevitável. Segundo Inger Andersen, os danos evitados e os retornos de longo prazo superam amplamente os investimentos necessários. Os benefícios macroeconômicos globais começariam a aparecer em 2050 e poderiam alcançar US$ 20 trilhões por ano até 2070.
O relatório também defende mudanças na forma como as decisões são tomadas em negociações multilaterais e nos indicadores usados para medir o progresso econômico. A proposta é ir além do Produto Interno Bruto (PIB) como principal métrica de bem-estar, incorporando indicadores que considerem a saúde humana, o capital natural, a economia circular e a rápida descarbonização.
O GEO7 reúne o trabalho de 287 cientistas de 82 países, com contribuições de mais de 800 revisores internacionais, e busca responder à demanda global por soluções urgentes e eficazes para tornar o planeta mais resiliente. Segundo Inger Andersen, o relatório deve servir de estímulo para que os países avancem na implementação e no fortalecimento de seus compromissos climáticos, especialmente após os avanços registrados na COP30, realizada em Belém.
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