Ciência e Tecnologia • 19:39h • 07 de agosto de 2026
Inteligência artificial impulsiona fake news e amplia desafio para as eleições de 2026
Estudo aponta crescimento de 308% na desinformação produzida com IA e especialistas alertam para conteúdos cada vez mais difíceis de identificar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mem Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A inteligência artificial está transformando a forma como notícias falsas são produzidas e disseminadas no Brasil. Um levantamento inédito do Observatório Lupa mostra que, entre 2024 e 2025, houve um crescimento de 308% na circulação de conteúdos falsos produzidos com auxílio de IA, acendendo um alerta para os impactos dessa tecnologia no debate público e nas eleições de 2026.
Segundo o estudo, a desinformação deixou de utilizar apenas montagens simples e textos manipulados para incorporar recursos como imagens geradas por inteligência artificial, vídeos hiper-realistas conhecidos como deepfakes e áudios capazes de reproduzir vozes com grande fidelidade, tornando cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que foi fabricado.
Fake news ficaram mais sofisticadas
O levantamento aponta que 81,2% das fake news produzidas com inteligência artificial surgiram apenas nos últimos dois anos, indicando que a tecnologia passou rapidamente de ferramenta experimental para um recurso amplamente utilizado por quem produz desinformação.
Além do crescimento no volume, o conteúdo também mudou. Em 2025, 45% das publicações falsas produzidas com IA apresentavam viés ideológico, percentual superior aos 33% registrados no ano anterior.
Para o advogado especialista em Direito Eleitoral Roosevelt Arraes, a principal mudança está na credibilidade que esses materiais conseguem transmitir. "O eleitor não está mais lidando com boatos grosseiros, mas com materiais que imitam perfeitamente a realidade", analisa.
Justiça Eleitoral amplia atuação, mas enfrenta novo desafio
Nos últimos anos, a Justiça Eleitoral intensificou mecanismos para combater a desinformação, ampliando a remoção de conteúdos irregulares, fortalecendo acordos com plataformas digitais e consolidando entendimentos sobre a divulgação de informações falsas ou retiradas de contexto.
Apesar disso, especialistas avaliam que a velocidade proporcionada pela inteligência artificial e pelos sistemas automatizados dificulta a resposta das instituições.
Segundo Roosevelt, perfis automatizados, conhecidos como bots, conseguem impulsionar milhares de publicações em poucos minutos, aumentando significativamente o alcance de conteúdos manipulados antes que possam ser contestados ou removidos.
O objetivo nem sempre é convencer
Para o advogado Luiz Gustavo de Andrade, membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB do Paraná, a estratégia atual da desinformação vai além da mentira explícita.
Segundo ele, muitos conteúdos utilizam informações verdadeiras apresentadas fora de contexto, trechos editados de entrevistas, vídeos manipulados e cortes seletivos capazes de alterar completamente o sentido original das declarações. "O objetivo de quem produz e divulga desinformação é criar dúvida, o que já é suficiente para influenciar o comportamento do eleitor", afirma.
Os especialistas destacam ainda que redes fechadas, como grupos de WhatsApp e Telegram, continuam sendo um dos principais ambientes para a rápida disseminação desse tipo de material.
Compartilhar também exige responsabilidade
A legislação brasileira prevê responsabilização para quem produz ou impulsiona conteúdos falsos, especialmente durante o período eleitoral. Dependendo do caso, podem ocorrer sanções por propaganda irregular, indenizações e até enquadramentos criminais por calúnia, difamação e outros delitos.
Entretanto, a responsabilização depende da análise da intenção, do alcance e do impacto causado pela divulgação.
Para os especialistas, a participação do próprio cidadão tornou-se uma das principais barreiras contra a desinformação. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, a recomendação é verificar se a informação aparece em fontes confiáveis, confirmar se não se trata de um conteúdo antigo reutilizado e desconfiar de publicações que provoquem forte reação emocional ou apresentem apenas recortes isolados dos fatos.
Em um cenário em que a inteligência artificial torna as manipulações cada vez mais convincentes, o cuidado na hora de consumir e compartilhar informações passa a ser considerado um dos principais instrumentos para proteger o debate público e a integridade do processo eleitoral.
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