Responsabilidade Social • 14:13h • 30 de março de 2026
"Inclusão de vitrine” ainda marca contratação de pessoas com deficiência
Artigo aponta práticas discriminatórias na contratação de pessoas com deficiência e defende foco em competências e desenvolvimento profissional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Mesmo com o avanço das pautas de diversidade e inclusão no ambiente corporativo, o mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta distorções na contratação de pessoas com deficiência. Segundo análise da psicóloga e CEO da Reponto, Flávia Mentone, práticas conhecidas como “inclusão de vitrine” continuam presentes, priorizando características visuais em detrimento de competências profissionais.
De acordo com a especialista, ainda há empresas que direcionam processos seletivos com base em perfis específicos de deficiência, o que desvirtua o conceito de inclusão. A prática, segundo ela, transforma a contratação em uma estratégia de imagem, e não em uma política estruturada de diversidade.
Flávia Mentone destaca que esse comportamento contraria princípios legais e éticos, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante igualdade de oportunidades no trabalho. Para a especialista, a contratação deve considerar habilidades, interesses e potencial de desenvolvimento, e não características genéticas ou visuais.
Dados do IBGE ajudam a dimensionar o problema. Em 2019, enquanto 37% das pessoas com deficiência visual estavam empregadas, apenas 5,3% das pessoas com deficiência intelectual ocupavam postos de trabalho. A diferença revela um desequilíbrio no acesso ao mercado, influenciado por percepções e critérios adotados pelas empresas.
A análise também aponta uma confusão recorrente entre deficiência intelectual e condições específicas, como a Síndrome de Down. Embora existam estimativas de cerca de 270 mil pessoas com a síndrome no Brasil, o universo da deficiência intelectual é mais amplo e muitas vezes não visível, o que pode levar à exclusão de profissionais que não se enquadram em estereótipos.
Para a CEO da Reponto, a inclusão efetiva exige processos mais estruturados e baseados em dados. Entre os pontos destacados estão a análise das exigências reais da vaga, a avaliação do potencial de desenvolvimento do candidato e a preparação do ambiente de trabalho para receber e desenvolver profissionais com deficiência.
A especialista também ressalta a importância de substituir decisões baseadas em percepção por critérios objetivos, como aderência ao cargo, capacidade de crescimento e retenção no emprego.
No contexto corporativo, a discussão sobre inclusão ganha força especialmente em datas de conscientização, como o 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down. No entanto, segundo a análise, a prática cotidiana ainda precisa avançar para além do discurso.
A avaliação indica que a inclusão efetiva no mercado de trabalho depende de mudanças estruturais, com foco em oportunidades reais, desenvolvimento profissional e respeito à dignidade das pessoas.
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