Economia • 11:36h • 22 de abril de 2026
Imposto sobre pneus pode subir para 35% e pressionar preços no Brasil
Proposta em análise no governo amplia carga tributária em menos de dois anos e pode impactar custo ao consumidor e dinâmica do mercado automotivo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
A possibilidade de elevação do imposto de importação de pneus para 35% ainda em 2026, em análise no Comitê de Alterações Tarifárias da Camex, preocupa o setor de importação e distribuição no Brasil, que vê risco de aumento de preços e concentração de mercado. A alíquota, que era zerada até 2024, passou para 16% em outubro daquele ano e subiu para 25% em 2025. O novo pedido foi apresentado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, que representa fabricantes instalados no país.
A sequência de reajustes em um intervalo inferior a dois anos já provoca impacto direto no custo do produto. Segundo estimativas da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus, um pneu com preço base de R$ 500 passou para R$ 580 com a alíquota de 16%, chegou a R$ 625 com os atuais 25% e pode atingir R$ 675 caso a taxa avance para 35%. Considerando tributos indiretos e custos logísticos, o aumento ao consumidor final pode superar 20%.
Trajetória de alta e impacto no bolso
O avanço da carga tributária ocorre em um momento de expansão do mercado automotivo. Dados da Fenabrave indicam crescimento de cerca de 15% nas vendas de veículos de passeio e comerciais leves no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Para o setor de importadores, esse cenário indica que a demanda está aquecida, e que os desafios enfrentados pela indústria nacional estariam mais ligados à competitividade do que à falta de mercado.
Outro ponto de preocupação é a aplicação da tarifa de forma ampla, atingindo inclusive categorias de pneus que não são produzidas no Brasil, como modelos de aro 13 e 14. Essas medidas são amplamente utilizadas na reposição de veículos mais antigos, que representam parcela significativa da frota nacional. A restrição pode reduzir a oferta disponível e pressionar ainda mais os preços.
Pressões externas e riscos ao mercado
Além da questão tributária, o setor também observa fatores internacionais que podem intensificar o encarecimento. Tensões geopolíticas envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, elevam o risco de aumento nos custos de energia e frete marítimo. Como a importação depende diretamente da logística global, esses elementos tendem a se somar ao impacto das tarifas.
O encarecimento dos pneus pode afetar diretamente atividades dependentes de transporte, como motoristas de aplicativo, taxistas e empresas de logística, com reflexos em cadeia sobre preços e inflação. Há ainda preocupação com a segurança viária, já que custos mais elevados podem levar consumidores a adiar a troca de pneus, aumentando o risco de circulação com itens desgastados.
Diante desse cenário, representantes do setor defendem maior previsibilidade e equilíbrio na política tarifária, argumentando que aumentos sucessivos podem reduzir a concorrência e limitar a inovação. A proposta de parte dos importadores é o retorno da alíquota ao patamar de 16%, considerado mais adequado para manter a arrecadação sem comprometer a competitividade do mercado.
O desfecho da análise no âmbito da Camex deve definir os próximos passos para o setor, com efeitos diretos sobre preços, oferta e dinâmica concorrencial no país.
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