Variedades • 18:48h • 08 de agosto de 2026
Idosos passam 22 horas por semana no celular; uso da internet cresce e bate recorde no Brasil
Pesquisa mostra que 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais já usam internet, enquanto especialistas alertam para os benefícios e os cuidados com o excesso de telas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Midiaria | Foto: Arquivo/Âncora1
O uso do celular entre os idosos brasileiros nunca foi tão intenso. Uma pesquisa da Nielsen aponta que pessoas com mais de 65 anos passam, em média, 22 horas por semana utilizando o smartphone, enquanto dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que essa faixa etária liderou o crescimento da inclusão digital no país em 2025.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua TIC 2025), 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizaram a internet no último ano, ante 70,1% registrados em 2024. O levantamento também revela que 80,3% dos idosos possuem celular para uso pessoal, o maior avanço proporcional entre todas as faixas etárias.
O crescimento reflete mudanças na rotina dessa população. Hoje, muitos idosos utilizam o smartphone para conversar com familiares, fazer videochamadas, acessar bancos, agendar consultas, acompanhar exames, realizar compras e buscar informações sobre saúde.
Para a médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, a inclusão digital representa um importante ganho de autonomia. Ela explica que o aprendizado pode acontecer em qualquer fase da vida, desde que haja incentivo da família, respeito ao tempo de cada pessoa e adaptações que facilitem o uso dos aparelhos, como letras maiores e recursos de acessibilidade.
Além da praticidade, a tecnologia também pode reduzir o isolamento social, estimular a memória por meio de jogos, cursos e leituras, facilitar o acesso à telemedicina e ampliar a participação dos idosos em atividades culturais e educacionais.
Inclusão digital exige atenção aos golpes e ao tempo de tela
Se, por um lado, a tecnologia amplia a independência, por outro exige cuidados. A especialista destaca que conversar sobre segurança digital é fundamental para que os idosos aprendam a identificar tentativas de golpes, proteger seus dados e navegar com mais tranquilidade.
Ela também recomenda que o uso do celular seja equilibrado com atividades presenciais, exercícios físicos, leitura e momentos de convivência com familiares e amigos.
Redes sociais podem afetar o bem-estar
Um estudo publicado neste ano na revista científica PLOS Global Public Health, com mais de 13,5 mil canadenses com 55 anos ou mais, identificou que diferentes ferramentas digitais produzem impactos distintos sobre a saúde mental. Enquanto o uso frequente das redes sociais foi associado a uma pior percepção do bem-estar psicológico, o e-mail apresentou relação com avaliações mais positivas da saúde mental.
A médica psiquiatra e professora da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra. Carla Caroline Vieira, afirma que o uso excessivo das telas pode mascarar problemas como solidão, ansiedade e depressão.
Segundo ela, familiares e profissionais de saúde devem observar sinais como isolamento social, irritabilidade, alterações no sono, esquecimento de medicamentos, prejuízo nas atividades diárias, dores cervicais, fadiga e cansaço ocular, que podem indicar uma relação pouco saudável com os dispositivos eletrônicos.
Embora o avanço da inclusão digital represente um passo importante para melhorar a qualidade de vida da população idosa, especialistas reforçam que os maiores benefícios aparecem quando a tecnologia é utilizada de forma consciente, segura e equilibrada.
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