Ciência e Tecnologia • 14:20h • 13 de janeiro de 2026
IA desenvolvida na USP promete acelerar diagnóstico do câncer de boca
Estudo promissor busca desenvolver software para celular que auxiliará dentistas e médicos na detecção da doença
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Na ficção científica, máquinas inteligentes costumam representar perigo. No mundo real, porém, a inteligência artificial (IA) tem se tornado uma aliada em áreas como a saúde — e uma pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP mostra exatamente isso. O estudo busca criar um software capaz de auxiliar dentistas e médicos no diagnóstico precoce do câncer bucal.
A proposta é simples e direta: basta tirar uma foto da lesão com o celular para que o programa indique se há sinais de malignidade. A tecnologia está sendo desenvolvida pelo pesquisador Mattheus Siscotto Tobias, atualmente em doutorado, sob orientação do professor Paulo Sergio da Silva Santos. O trabalho reúne parcerias com a Faculdade de Odontologia da USP e o curso de Ciência da Computação da Unesp.
O diagnóstico precoce é um dos principais desafios no enfrentamento da doença. Segundo dados internacionais, há cerca de 400 mil novos casos de câncer bucal por ano no mundo — no Brasil, entre 22 e 23 mil. Para Santos, que atende pacientes no Centro de Pesquisa Clínica da FOB e no Hospital Estadual de Bauru, a maioria chega em estágios avançados, o que aumenta a mortalidade. “Nossa ideia é que o software possa ser usado na Atenção Básica, permitindo identificar lesões suspeitas com mais rapidez”, explica.
A pergunta inevitável surge: a IA substituiria profissionais? Os pesquisadores são categóricos ao afirmar que não. A tecnologia foi pensada como apoio à atuação clínica, não como substituta. A visão é compartilhada pelo professor Glauco Arbix, da FFLCH-USP, que defende o conceito de “humanos mais máquinas, e não máquinas no lugar dos humanos”.
Para treinar a IA, a equipe utilizou um banco de mais de 6 mil imagens de câncer bucal e de lesões benignas. A rede neural aprendeu a diferenciá-las e atingiu cerca de 80% de acurácia nos testes iniciais. Na etapa atual, especialistas de todo o Brasil analisam o mesmo conjunto de imagens, e as respostas serão comparadas às classificações feitas pela máquina.
O estudo deve ser concluído no segundo semestre de 2026, mas os resultados preliminares já têm repercutido no meio acadêmico. Além de artigos publicados e submetidos a revistas internacionais, a pesquisa foi premiada como melhor pôster na 29ª Reunião da Academia Iberoamericana de Patologia e Medicina Bucal, na Argentina.
Também participam do trabalho os pesquisadores Celso Lemos Junior, da FO, e João Paulo Papa, Marcos Cleison Santana e Rafael Gonçalves Pires, da Unesp.
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