Ciência e Tecnologia • 19:29h • 03 de fevereiro de 2026
IA antecipa risco de quedas em adultos a partir da análise da musculatura do tronco
Estudo da Mayo Clinic mostra que inteligência artificial aplicada a tomografias identifica sinais precoces de risco já na meia-idade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mayo Clinic | Foto: Divulgação
A aplicação de inteligência artificial em exames de imagem abdominal pode ajudar a identificar adultos com maior risco de quedas ainda na meia-idade, segundo um novo estudo da Mayo Clinic. A pesquisa, publicada na revista Mayo Clinic Proceedings: Digital Health, indica que a qualidade da musculatura abdominal, componente central da força do tronco, é um dos principais fatores para prever o risco de quedas em pessoas a partir dos 45 anos.
As quedas estão entre as principais causas de lesões e hospitalizações, especialmente entre idosos. O estudo aponta, porém, que sinais precoces de risco podem ser identificados muito antes dessa fase, a partir de tomografias computadorizadas que muitos pacientes já realizam por outros motivos clínicos.
Em parceria com especialistas em bioinformática em radiologia, os pesquisadores analisaram dados extraídos por IA de exames de tomografia, incluindo distribuição de gordura, tamanho e densidade muscular, além de indicadores de qualidade óssea. O objetivo foi verificar se essas informações poderiam revelar alterações físicas associadas ao aumento do risco de quedas.
Os resultados mostraram que a densidade muscular, indicador da qualidade do músculo, é um preditor significativamente mais forte do risco de quedas do que o tamanho muscular isolado.
“O tamanho muscular mede apenas o volume”, explica Jennifer St. Sauver, epidemiologista da Mayo Clinic e autora principal do estudo. “Já a densidade muscular, observada na tomografia, reflete o quão homogêneo e saudável é o tecido muscular.”
De acordo com a pesquisadora, músculos com maior densidade tendem a conter menos gordura infiltrada, o que está diretamente associado a melhor força e função física. Estudos anteriores já indicavam essa relação, mas a nova pesquisa reforça que a qualidade do músculo é mais relevante do que sua dimensão.
Outro achado que chamou a atenção da equipe foi a força da associação entre baixa densidade muscular abdominal e risco de quedas em adultos de meia-idade, não apenas em idosos. “Esperávamos encontrar essa relação em faixas etárias mais avançadas, mas os dados mostraram que o impacto começa bem antes”, afirma St. Sauver.
Tradicionalmente, a musculatura das pernas é o principal foco quando se fala em equilíbrio e prevenção de quedas. O estudo, no entanto, evidencia que os músculos do tronco também desempenham papel central na estabilidade e na função física ao longo da vida adulta.
Para os pesquisadores, a principal mensagem é preventiva. Manter a musculatura abdominal em boas condições ao longo da vida pode trazer benefícios duradouros, reduzindo riscos que só costumam ser percebidos quando já há perda funcional. A expectativa é que, no futuro, ferramentas baseadas em IA possam ser integradas à prática clínica para identificar precocemente indivíduos em maior risco e orientar intervenções personalizadas.
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