Responsabilidade Social • 20:43h • 12 de agosto de 2026
Hoje tem futebol. E um dado preocupa: agressões contra mulheres crescem 28,9% em dias de jogo
Novo estudo mostra que partidas funcionam como marcador de maior risco para a violência doméstica; entre mulheres de 15 a 29 anos, aumento chega a 44,4% nos registros analisados
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
Nesta quarta-feira, 12 de agosto, tem futebol na televisão aberta. Para milhões de brasileiros, é dia de acompanhar o time, encontrar amigos e torcer. Para muitas mulheres, porém, dias de jogo também representam um período de maior risco dentro de casa. Um novo estudo mostra que os registros de agressões decorrentes de violência doméstica aumentam 28,9% quando há partidas de futebol.
Os dados fazem parte da segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento também identificou crescimento de 27,4% nos registros de ameaça em dias de partidas.
Os percentuais revelam uma associação preocupante: quando tem jogo, os registros de violência doméstica aumentam de forma significativa.
Mulheres mais jovens são ainda mais atingidas
O impacto é maior entre mulheres de 15 a 29 anos. Nessa faixa etária, o estudo encontrou aumento de 44,4% tanto nas ameaças quanto nas lesões corporais dolosas nos dias de futebol.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores cruzaram registros de ocorrências com partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores da América e Copa Sul-Americana realizadas entre 2023 e 2025.
A análise considerou cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Problema já aparecia em estudo anterior e se agravou
Não é a primeira vez que o Fórum identifica essa relação. Uma pesquisa anterior, divulgada em 2022 e baseada em dados de 2015 a 2018, apontava crescimento de 23,7% nas ameaças e 20,8% nas agressões em dias de partidas.
Agora, os índices chegaram a 27,4% e 28,9%, respectivamente. A diferença representa aumento de 3,7 pontos percentuais nas ameaças e 8,1 pontos nas lesões corporais dolosas em relação aos indicadores encontrados no levantamento anterior.
Para a coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, Juliana Brandão, os resultados precisam servir também para orientar ações de prevenção. Segundo ela, “os dias de jogo são, hoje, fatores de risco comprovados para a violência doméstica contra mulheres”, cenário que exige planejamento das forças de segurança e participação dos próprios clubes no enfrentamento do problema.
Futebol não é a causa, mas o dia de jogo acende um alerta
O levantamento não significa que o futebol, por si só, provoque a violência. A pesquisa trata o calendário das partidas como um marcador temporal de risco, identificando que os registros aumentam justamente nesses dias.
Esse cuidado é importante porque a responsabilidade pela agressão é de quem agride. O que os números oferecem é uma informação capaz de ajudar poder público, forças de segurança, clubes e sociedade a reconhecer períodos em que a prevenção e a proteção das mulheres precisam ser reforçadas.
E, diante de mais uma quarta-feira de futebol, o dado deixa uma pergunta incômoda. Não é possível saber quantas mulheres serão agredidas hoje. O que a pesquisa mostra é que, em dias como este, o risco cresce.
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