Saúde • 18:31h • 13 de setembro de 2026
Hemorroidas ainda são cercadas de vergonha; falar sobre o problema pode mudar a qualidade de vida
Sangramento, dor e desconforto não devem ser tratados por conta própria; especialista explica quando mudanças de hábitos são suficientes e em quais situações outros procedimentos podem ser necessários
Da Redação | Com informações da PRDA Assessoria | Foto: Arquivo
Hemorroidas são extremamente comuns, mas continuam entre os problemas de saúde que muitas pessoas preferem esconder. Estimativas indicam que 40% a 50% da população mundial terá, em algum momento da vida, sintomas relacionados à doença hemorroidária. Apesar da frequência, vergonha, medo do exame e receio de uma eventual cirurgia ainda podem atrasar a procura por atendimento.
Para o coloproctologista Fernando Bray, romper esse tabu é parte importante do cuidado. Sangramento, dor, coceira, secreção ou alterações persistentes na região anal precisam ser avaliados, principalmente porque sintomas frequentemente atribuídos às hemorroidas também podem ter outras causas.
Um dos erros mais comuns é iniciar por conta própria o uso de pomadas e cremes porque os sintomas parecem semelhantes aos apresentados por alguém que já teve hemorroidas. O sangramento anal, por exemplo, também pode estar relacionado a outras doenças do intestino, reto e canal anal.
Sangramento nem sempre significa hemorroida
Tumores do reto ou do canal anal podem apresentar sintomas semelhantes aos da doença hemorroidária. O câncer de canal anal, inclusive, pode estar relacionado à infecção pelo HPV. Por isso, sinais como perda de peso, anemia, mudança recente do hábito intestinal ou histórico familiar de câncer ou pólipos intestinais reforçam a necessidade de investigação.
A avaliação é feita pelo coloproctologista e começa pelo histórico clínico e pelos sintomas apresentados. Dependendo do caso, pode incluir inspeção da região anal, toque retal e anuscopia, exame que permite visualizar o canal anal. Em situações específicas, outros procedimentos, como a colonoscopia, podem ser necessários.
Bray também esclarece que as hemorroidas fazem parte normalmente do corpo humano. São estruturas formadas por vasos sanguíneos, fibras elásticas e musculares que participam da proteção e da vedação do canal anal. O problema ocorre quando essas estruturas sofrem alterações e começam a provocar sintomas, caracterizando a doença hemorroidária.
Nem toda hemorroida precisa de cirurgia
A possibilidade de uma cirurgia costuma provocar receio, mas ter doença hemorroidária não significa necessariamente precisar operar. Em muitos casos, principalmente quando o atendimento ocorre no início dos sintomas, o tratamento pode ser clínico.
Mudanças nos hábitos intestinais, aumento do consumo de fibras e água, redução do esforço para evacuar, menor permanência no vaso sanitário e cuidados adequados de higiene estão entre as medidas que podem integrar o tratamento.
Quando essas mudanças não são suficientes, existem alternativas menos invasivas. A ligadura elástica, por exemplo, pode ser utilizada em determinados casos de hemorroidas internas, especialmente nos graus iniciais. O procedimento reduz o fluxo sanguíneo para o tecido hemorroidário e contribui para sua redução.
A cirurgia permanece indicada em situações específicas. Alguns pacientes com doença mais avançada, especialmente determinados casos de graus III e IV, ou com sintomas persistentes e recorrentes, podem se beneficiar do tratamento cirúrgico. A escolha deve considerar individualmente as características e a evolução de cada paciente.
Vergonha pode prolongar o sofrimento
O medo de precisar operar pode acabar se tornando mais um motivo para adiar a consulta. Segundo Bray, isso cria uma situação em que o constrangimento impede a procura pelo especialista, enquanto o receio da cirurgia prolonga a tentativa de controlar os sintomas sem diagnóstico adequado.
O efeito pode ser justamente o contrário do desejado. Quanto mais cedo ocorre a avaliação, maior é a possibilidade de identificar corretamente a origem dos sintomas e, quando se trata de doença hemorroidária, avaliar alternativas menos invasivas.
A evolução da coloproctologia também ampliou as possibilidades terapêuticas nas últimas décadas, com técnicas que, em determinados casos, proporcionam recuperação mais confortável e retorno mais rápido às atividades. Isso não elimina a necessidade da cirurgia convencional quando existe indicação.
Para Bray, o principal cuidado começa antes da escolha entre pomadas, procedimentos ou cirurgia, não banalizar sangramentos, dores ou alterações persistentes e não deixar que o constrangimento impeça a procura pelo coloproctologista.
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