Mundo • 19:01h • 10 de setembro de 2026
Helicóptero atingiu cabo de energia antes de cair e matar duas pessoas no Espírito Santo, aponta Cenipa
Relatório final divulgado detalha acidente com um Robinson R44 em área montanhosa e indica que fio elevado, sem sinalização e de difícil visualização foi atingido pelo rotor de cauda durante aproximação para pouso
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Cenipa | Foto: Divulgação
Um helicóptero Robinson R44 II atingiu um cabo de energia elétrica durante a aproximação para pouso em uma propriedade rural de Vargem Alta, no Espírito Santo, perdeu o controle direcional e caiu, causando a morte do piloto e do passageiro. A sequência do acidente, ocorrido em 9 de fevereiro de 2023, foi detalhada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) em relatório final simplificado concluído em 20 de agosto de 2026.
A aeronave, de matrícula PR-PLF, havia decolado de uma área não cadastrada na empresa Maqstone, no distrito de Duas Barras, em Cachoeiro de Itapemirim, com destino ao Sítio Vovó Neli, em Vargem Alta. Durante a aproximação para outra área não cadastrada, o rotor de cauda colidiu com um fio da rede elétrica. Na sequência, o helicóptero ainda atingiu uma árvore antes de se chocar contra o solo.
O relatório registra que o piloto estava qualificado para o voo, com habilitação e Certificado Médico Aeronáutico vigentes. O helicóptero também possuía documentação válida, estava dentro dos limites de peso e balanceamento e tinha passado por verificação para emissão do Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade apenas seis dias antes do acidente, acumulando quatro horas de voo desde então.
Helicóptero atingiu fio de energia, perdeu controle e caiu com duas pessoas a bordo, revela Cenipa
Cabo atravessava área montanhosa e era de difícil visualização
A investigação reconstruiu a posição do obstáculo e a trajetória do helicóptero. Fotografias e o croqui apresentados no documento mostram que o cabo atravessava uma região entre elevações, próximo ao local onde o piloto pretendia pousar. Segundo o Cenipa, o fio apresentava “difícil visualização” e estava a uma altura significativa em relação ao terreno.
Os exames encontraram danos nas pás e no conjunto do rotor de cauda compatíveis com o impacto contra o cabo. A própria fiação apresentava marcas de estiramento e desgaste por atrito. A análise permitiu ao Cenipa concluir que a colisão provocou o rompimento do eixo do rotor de cauda e a consequente perda do controle direcional da aeronave.

A situação ocorreu próximo ao pôr do sol. O relatório informa que o Sol se punha às 21h25 UTC naquele dia e que observadores ainda relataram iluminação natural no momento do acidente. A investigação considerou possível que a proximidade do pôr do sol, somada à falta de sinalização e iluminação do cabo e ao fato de aquela aproximação estar sendo realizada pela primeira vez pelo piloto, tenha prejudicado a identificação do obstáculo.
Piloto já havia pousado no sítio, mas por outro caminho
O Cenipa apurou que aquele era o segundo pouso do piloto no Sítio Vovó Neli. No dia anterior, porém, ele havia realizado a aproximação por outro setor. A área pretendida para o pouso ficava a aproximadamente 2.300 pés, cerca de 701 metros de altitude, em região montanhosa.
Outro ponto destacado pelo relatório é que não foi possível obter um gerenciamento de risco referente à operação naquela localidade. As normas citadas pelo Cenipa estabelecem que pousos e decolagens de helicópteros em áreas não cadastradas devem ser precedidos de gerenciamento de risco e que as áreas de aproximação final, decolagem e toque precisam estar livres de obstáculos que possam comprometer a segurança.

Diante da ausência desse documento e por se tratar da primeira aproximação do piloto por aquele setor, os investigadores consideraram possível que ele desconhecesse a existência do cabo. Para o Cenipa, isso pode indicar uma possível falha no planejamento prévio da operação, especialmente na obtenção e análise de informações sobre obstáculos existentes na trajetória.
Baixa altitude deixou pouco tempo para reação
Depois que o rotor atingiu o cabo, houve perda da efetividade do controle direcional. O manual do R44 II prevê, diante da perda de tração do rotor de cauda durante voo à frente, a entrada em autorrotação para manter o controle da aeronave.

A investigação concluiu, entretanto, que a baixa altitude durante a aproximação e as características montanhosas do terreno não deixaram tempo suficiente para que o piloto selecionasse um local seguro e executasse a autorrotação de maneira controlada.
O relatório classifica “percepção” e “planejamento de voo” como fatores contribuintes indeterminados. O Cenipa não emitiu recomendações de segurança específicas para a ocorrência. O próprio órgão ressalta que as investigações do Sipaer têm finalidade exclusivamente preventiva e não buscam determinar culpa ou responsabilidade.

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