Educação • 15:05h • 03 de setembro de 2026
Guia da USP mostra como escolas podem acolher adolescentes em sofrimento emocional
E-book gratuito produzido por pesquisadoras da USP orienta professores e equipes escolares sobre como reconhecer situações de alerta, acolher estudantes e buscar ajuda especializada
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Divulgação
Uma queda repentina no desempenho escolar, isolamento excessivo, irritabilidade persistente ou perda de interesse por atividades antes prazerosas podem indicar que um adolescente está passando por sofrimento emocional. Para ajudar professores e outros profissionais a reconhecer esses sinais e saber como agir, pesquisadoras da USP lançaram a segunda edição de um e-book gratuito sobre primeiros socorros em saúde mental nas escolas.
Com 78 páginas, Quando a dor não é visível: primeiros socorros em saúde mental na adolescência - Orientações para profissionais no contexto escolar reúne informações práticas sobre acolhimento, escuta sem julgamentos, identificação de situações de risco e encaminhamento para serviços especializados. A publicação está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.
A orientação central é que a escola não deve tentar diagnosticar o estudante nem assumir o papel de profissionais de saúde. Por conviver diariamente com os adolescentes, entretanto, professores e demais integrantes da equipe escolar podem perceber mudanças importantes, oferecer um primeiro espaço de diálogo e acionar a rede de apoio quando necessário.
Quando uma mudança de comportamento merece atenção?
A adolescência naturalmente envolve transformações de comportamento, humor e relações sociais. Por isso, um sinal isolado não significa necessariamente que exista uma crise. A atenção deve aumentar quando as mudanças são intensas, persistentes ou muito diferentes do comportamento habitual daquele jovem.
Entre os sinais abordados estão queda no desempenho escolar, humor deprimido ou ansioso, desesperança, baixa autoestima, irritabilidade, agressividade, isolamento, perda de interesse pelo autocuidado e uso abusivo de álcool ou outras drogas. Comportamentos autolesivos e manifestações sobre desejo de morrer exigem atenção especial.
O isolamento ajuda a mostrar essa diferença. Buscar mais autonomia em relação à família pode fazer parte da adolescência, mas o afastamento excessivo tanto de familiares quanto de amigos pode indicar que algo não vai bem.
Escutar sem julgar é parte dos primeiros cuidados
O e-book apresenta os Primeiros Socorros em Saúde Mental como ações de apoio inicial diante de uma pessoa em crise. Entre elas estão ouvir atentamente, compreender as necessidades do adolescente, favorecer a expressão dos sentimentos, verificar sua segurança e ajudá-lo a chegar aos serviços adequados.
A publicação também alerta contra reações que podem minimizar o sofrimento, como classificar determinadas manifestações simplesmente como “drama de adolescente” ou interpretar comentários relacionados à morte apenas como uma tentativa de chamar atenção.
Em situações envolvendo violência, autolesão, intenção de provocar danos a si próprio ou a outras pessoas, é necessário avaliar a necessidade de atendimento imediato. Dependendo do caso, a escola deverá articular o apoio com familiares, profissionais de saúde, assistência social, rede de atenção psicossocial ou serviços de emergência.
Escola precisa conhecer a rede antes da emergência
Uma das recomendações é que cada escola identifique previamente quais serviços de saúde, assistência social e atenção psicossocial existem no bairro ou município e saiba como acessá-los. Isso evita que a busca por ajuda comece somente quando um estudante já estiver enfrentando uma situação grave.
Produzido por pesquisadoras da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, o e-book pode ser baixado gratuitamente neste link.
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