Responsabilidade Social • 10:54h • 15 de junho de 2026
Governo reforça ações para enfrentar possível El Niño intenso
Com previsão de até 80% de chance de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses, o governo federal mobiliza ministérios, órgãos de monitoramento e forças de resposta para reduzir impactos do fenômeno. Entre as principais preocupações estão a seca severa no Norte e Nordeste, o aumento do risco de incêndios florestais e a ocorrência de chuvas acima da média no Sul do país
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
O governo federal ampliou as medidas de preparação para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño, cuja formação é considerada cada vez mais provável ao longo do segundo semestre de 2026. A preocupação das autoridades se deve à possibilidade de o evento climático ocorrer com forte intensidade, agravado pelos efeitos das mudanças climáticas globais.
Nos últimos dias, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), reuniu órgãos federais e instituições de monitoramento para avaliar os cenários climáticos previstos para os próximos meses e alinhar estratégias de prevenção, mitigação e resposta a eventos extremos.
Especialistas apresentaram projeções atualizadas e destacaram que os efeitos do El Niño tendem a variar significativamente entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul e parte do Sudeste podem registrar chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes e deslizamentos, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem enfrentar períodos mais prolongados de estiagem, ondas de calor e aumento da ocorrência de incêndios florestais.
Segundo o coordenador-geral de Gerenciamento de Riscos da Defesa Civil Nacional, Leno Rodrigues de Queiroz, o acompanhamento do fenômeno é permanente e envolve a articulação de diversos órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil. O objetivo é garantir apoio técnico e operacional aos estados e municípios diante dos desafios que podem surgir nos próximos meses.
As projeções para o trimestre entre junho e agosto apontam o Rio Grande do Sul como uma das áreas mais suscetíveis ao excesso de chuvas, enquanto estados das regiões Norte e Nordeste podem enfrentar uma seca severa, com risco elevado de queimadas a partir de agosto e setembro.
Embora ainda existam incertezas sobre a intensidade final do fenômeno, especialistas afirmam que sua ocorrência já é considerada bastante provável. De acordo com Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há consenso entre os órgãos técnicos sobre a chegada do El Niño, restando definir apenas sua magnitude.
O meteorologista Fábio Rocha, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), explica que o aquecimento gradual das águas do Oceano Pacífico já indica a formação do fenômeno. As previsões apontam que esse aquecimento deve continuar ao longo do ano, aumentando a possibilidade de um El Niño moderado ou forte, especialmente durante a primavera.
Uma nota técnica divulgada conjuntamente pelo INPE, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta cerca de 60% de probabilidade de formação do fenômeno durante o segundo semestre de 2026, com possibilidade de persistência até o início de 2027.
Paralelamente, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima trabalha com uma projeção ainda mais preocupante. Segundo o ministro João Paulo Capobianco, há atualmente cerca de 80% de chance de ocorrência de um El Niño muito intenso. Diante desse cenário, o governo optou por antecipar ações e criar uma sala de situação permanente coordenada pela Casa Civil, reunindo 13 ministérios e órgãos públicos para acompanhar a evolução do fenômeno.
A estrutura permite o planejamento antecipado de recursos extraordinários e a mobilização de instituições como as Forças Armadas, Polícia Federal, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além da articulação direta com governos estaduais e municipais.
Entre as medidas já adotadas está o reforço do monitoramento ambiental e a ampliação da capacidade de combate a incêndios florestais. O governo federal destinou quase R$ 600 milhões aos corpos de bombeiros dos estados considerados mais vulneráveis às queimadas, além de ampliar a disponibilidade de aeronaves, equipamentos e equipes especializadas.
As ações também ganharam reforço com a aprovação da Lei do Manejo Integrado do Fogo, que estabelece responsabilidades compartilhadas entre União, estados, municípios e proprietários rurais para prevenção e controle de incêndios. A legislação prevê a elaboração de planos específicos de manejo do fogo em diferentes regiões do país, buscando reduzir os riscos de grandes queimadas.
O ministro Capobianco também fez um apelo à população para que evite qualquer uso de fogo durante os períodos mais críticos do ano. Segundo ele, mesmo práticas aparentemente simples, como a queima de lixo ou limpeza de áreas rurais, podem resultar em incêndios de grandes proporções devido às condições climáticas mais secas e quentes previstas para os próximos meses.
Além das ações preventivas, o governo reforçou o combate aos incêndios criminosos. A Polícia Federal ampliou os sistemas de monitoramento e investigação, permitindo identificar com maior precisão os responsáveis pelo início de queimadas ilegais e fortalecer as medidas de responsabilização.
O enfrentamento dos impactos do El Niño também envolve uma ampla articulação entre diferentes áreas do governo federal. Participam das ações ministérios ligados à assistência social, saúde e direitos humanos, além de instituições científicas e órgãos de monitoramento climático. A estratégia busca garantir atendimento rápido às populações mais vulneráveis e minimizar os efeitos de eventos extremos em todo o país.
Com o monitoramento diário das condições climáticas e a integração entre os diversos órgãos públicos, o governo aposta na antecipação das medidas para reduzir danos e aumentar a capacidade de resposta diante de um fenômeno que pode marcar o clima brasileiro nos próximos meses.
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