Saúde • 12:03h • 05 de agosto de 2026
Gordura abdominal e baixa vitamina D elevam risco de morte após os 50
Estudo com mais de 5,5 mil pessoas indica que monitorar os níveis do hormônio e controlar o peso são medidas essenciais para evitar mortes prematuras
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo com mais de 5,5 mil pessoas acima dos 50 anos identificou que a combinação entre obesidade abdominal e deficiência de vitamina D pode aumentar em 123% o risco de morte em comparação com quem não apresenta nenhuma das duas condições. A pesquisa, publicada na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, aponta que, embora cada fator represente um risco isoladamente, a presença simultânea potencializa os impactos negativos à saúde.
Segundo Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do estudo, a gordura abdominal está associada à inflamação e a alterações metabólicas, enquanto a vitamina D desempenha funções importantes em diversos órgãos do corpo. Quando as duas condições coexistem, os efeitos se somam e elevam significativamente o risco de morte prematura, especialmente após os 50 anos.
A pesquisa, realizada em parceria com cientistas da University College London, no Reino Unido, acompanhou 5.520 participantes por seis anos. Os voluntários fazem parte do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos sobre envelhecimento no mundo.
Os resultados mostraram que a deficiência de vitamina D, definida por níveis inferiores a 30 nanomoles por litro de sangue, aumenta sozinha o risco de morte em até 81%. Já a obesidade abdominal, caracterizada por circunferência da cintura acima de 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres, eleva esse risco em 47%. Quando ambas as condições estão presentes, o risco mais que dobra em relação às pessoas sem esses fatores.
Os pesquisadores explicam que a gordura abdominal reduz a disponibilidade de vitamina D no organismo. Isso ocorre porque a vitamina fica armazenada nas células de gordura, deixando de circular pelo sangue e de exercer suas funções em outros órgãos. Além disso, pessoas com obesidade produzem menos enzimas responsáveis pelo metabolismo da vitamina, agravando a deficiência.
Esse processo cria um ciclo prejudicial: a obesidade reduz os níveis de vitamina D, enquanto a deficiência compromete o sistema imunológico e intensifica a inflamação causada pelo excesso de gordura. Nos idosos, o problema é agravado pelo chamado inflammaging, um estado de inflamação crônica relacionado ao envelhecimento, que favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e da perda de massa muscular.
A pesquisa faz parte de uma série de estudos sobre os efeitos da vitamina D no envelhecimento. Trabalhos anteriores da mesma equipe mostraram que a deficiência da vitamina está relacionada à perda de força muscular, redução da velocidade de caminhada, maior dependência para realizar atividades diárias e aumento do risco de declínio cognitivo.
De acordo com os pesquisadores, a vitamina D atua em diversos sistemas do organismo, incluindo o cardiovascular, o nervoso, o imunológico e o endócrino. Por isso, manter níveis adequados da vitamina e controlar o excesso de gordura abdominal são medidas importantes para reduzir o risco de doenças e favorecer um envelhecimento mais saudável.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro