Mundo • 15:12h • 01 de outubro de 2026
Golpe do consórcio fica mais sofisticado e pode usar até cota verdadeira para enganar
Transferências para contas de terceiros, cobrança antecipada de lances e garantia de contemplação em poucos meses estão entre os principais sinais de alerta
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Uma proposta de consórcio pode parecer legítima, incluir contrato e até uma cota verdadeira e, ainda assim, fazer parte de um golpe. Com o setor alcançando 13,41 milhões de participantes ativos no Brasil, consumidores precisam redobrar a atenção diante de ofertas que prometem contemplação rápida, exigem pagamentos antecipados ou direcionam transferências para contas de vendedores e terceiros.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) apontam que, entre janeiro e julho de 2026, foram comercializadas 3,31 milhões de cotas, crescimento de 14,9% em relação ao mesmo período de 2025. A expansão ocorre paralelamente a fraudes que utilizam nomes de administradoras reais e simulam operações regulares para conquistar a confiança das vítimas.
Um dos principais sinais de alerta é a promessa de que a pessoa será contemplada em determinado mês ou após pagar uma quantia específica. Segundo Luís Fellipe de Oliveira, COO e cofundador da Directcon, o vendedor pode apresentar o histórico de lances de determinado grupo, mas isso não representa garantia de que o mesmo resultado ocorrerá na assembleia seguinte.
“Promessa de contemplação é proibida. Nenhum vendedor pode dizer que o cliente será contemplado em determinado mês”, afirma Oliveira.
PIX para vendedor ou terceiro é sinal de alerta
Outro cuidado fundamental está no destino do dinheiro. Os pagamentos relacionados à cota devem ser realizados diretamente à administradora pelos canais oficiais. Pedidos para fazer PIX para a conta pessoal de um vendedor ou de terceiros devem despertar desconfiança.
O mesmo vale para supostas cobranças antecipadas de lance sob a justificativa de garantir a contemplação. Segundo o especialista, o lance não deve ser pago antecipadamente para assegurar que o cliente será contemplado. O pagamento ocorre após a contemplação e conforme os procedimentos estabelecidos pela administradora.
A sofisticação de algumas fraudes pode dificultar a identificação. Há casos em que os golpistas chegam a contratar uma cota real em nome do consumidor e utilizam informações ou acessos da administradora para dar aparência legítima à negociação. Depois disso, prometem a contemplação rápida e orientam a vítima a enviar dinheiro diretamente a eles.
Ter um contrato não significa que a negociação seja verdadeira
Os fraudadores também podem apresentar contratos próprios ou documentos que simulam uma relação formal com uma administradora. Por esse motivo, simplesmente receber um contrato não é suficiente para confirmar a segurança da operação.
Antes de pagar, o consumidor deve entrar em contato diretamente com a administradora para verificar se o vendedor é um representante autorizado e se o contrato apresentado é verdadeiro. Boletos, parcelas e outros pagamentos também devem ser obtidos e realizados pelos canais oficiais.
Em alguns golpes, a vítima demora meses para perceber a fraude. Isso pode acontecer porque o consumidor aguarda justamente o período em que a contemplação havia sido prometida. Quando o prazo chega e a liberação não ocorre, o suposto vendedor pode interromper o contato.
Como reduzir o risco de cair no golpe
Antes de contratar um consórcio, o consumidor deve verificar se a administradora está autorizada a operar, confirmar a identificação do vendedor diretamente com a empresa e validar o contrato antes de qualquer pagamento.
Também é importante nunca transferir dinheiro para contas pessoais de vendedores ou terceiros, desconfiar de cobranças antecipadas para garantir contemplação e não acreditar em promessas de que a cota será contemplada em uma data determinada.
Depois da contratação, o acompanhamento deve ser feito pelo portal, aplicativo ou demais canais oficiais da administradora. Neles, o cliente pode consultar a situação da cota, informações do grupo, resultados das assembleias e eventual contemplação.
Quem identificar que foi vítima de fraude deve guardar contratos, mensagens e comprovantes de pagamento, registrar boletim de ocorrência e comunicar a administradora envolvida. Se o pagamento tiver sido realizado por PIX, a orientação é procurar imediatamente o banco. Também é possível registrar reclamação no Banco Central e recorrer aos órgãos de defesa do consumidor.
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